Minas Gerais lidera ranking de casas em áreas de risco para deslizamentos

Levantamento do MapBiomas aponta que área urbanizada em terrenos íngremes triplicou no estado desde 1985

Imagens dos estragos da chuva em Juiz de Fora, em fevereiro de 2026

Minas Gerais é o estado brasileiro com a maior área de moradias construídas em locais suscetíveis a deslizamentos de terra. O dado faz parte de um levantamento divulgado nesta quarta-feira (4) pelo MapBiomas.

O estudo analisou a expansão urbana em áreas de alta declividade entre 1985 e 2024. Segundo os dados, Minas é o estado com a maior área urbanizada em terrenos com forte inclinação no país. No período analisado, essa área triplicou e chegou a quase 14,5 mil hectares em 2024.

O resultado é impulsionado principalmente pela cidade de Juiz de Fora, na Zona da Mata mineira. O município possui a terceira maior área urbanizada do Brasil em terrenos com inclinação superior a 30%, considerados de alto risco para deslizamentos.

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Em segundo lugar no ranking aparece a cidade do Rio de Janeiro e em terceiro a cidade de São Paulo. Em 1985, as cidades com mais áreas urbanizadas em regiões íngremes eram Rio de Janeiro (1,16 mil hectares), Belo Horizonte (900 hectares) e São Paulo (730 hectares).

Já em 2024, o Rio mantém a liderança (1,7 mil hectares), São Paulo ocupa a segunda posição (1,5 mil hectares) e Juiz de Fora aparece em terceiro lugar (1,3 mil hectares), à frente de Belo Horizonte (1,2 mil hectares).

Segundo Talida Micheleti, da equipe de mapeamento de áreas urbanizadas do MapBiomas, o avanço acelerado da urbanização em Minas ajuda a explicar o cenário.

“O processo de urbanização de Minas Gerais, o segundo estado com maior área urbanizada do Brasil, desafia permanentemente a geografia. O avanço da urbanização sobre relevos acentuados é um padrão muito forte na Zona da Mata, onde se localiza Juiz de Fora”, afirmou.

Favelas em áreas íngremes

O levantamento também analisou a presença de favelas em terrenos com alta declividade. A área ocupada por essas comunidades em locais íngremes passou de 2.266 hectares, em 1985, para 5.704 hectares, em 2024 — um aumento de mais de 150%.

No recorte por estados, o Rio de Janeiro lidera com 1.730 hectares de favelas em áreas íngremes, seguido por São Paulo (1.061 hectares) e Minas Gerais (1.057 hectares).

Em termos proporcionais, os maiores crescimentos de urbanização em áreas de alta declividade foram registrados no Rio Grande do Sul, com aumento de sete vezes, e em Santa Catarina, com crescimento de seis vezes no período.

Áreas vulneráveis a alagamentos

O estudo também avaliou outro indicador de risco: a diferença vertical entre o terreno urbanizado e a linha de drenagem natural mais próxima — como rios e córregos. Foram consideradas áreas com até três metros de diferença, mais vulneráveis a enchentes e inundações.

Essas áreas cresceram 145% nos últimos 40 anos, passando de 493 mil hectares, em 1985, para 1,2 milhão de hectares em 2024.

No ranking dos municípios com maior área urbanizada próxima a cursos d’água, Rio de Janeiro e São Paulo lideram tanto em 1985 quanto em 2024. Em 2024, o terceiro lugar passou a ser ocupado por Brasília.

Quando o critério é a proporção da área urbana vulnerável em relação ao território estadual, Roraima aparece em primeiro lugar, com 46,4% da área urbanizada situada em áreas suscetíveis a enchentes. Em seguida estão o Rio de Janeiro (43%) e o Amapá (37,6%).

“A rápida e recente urbanização do Brasil ocupou diversas áreas que podem estar sujeitas a riscos — seja pela declividade acentuada, que favorece a erosão e deslizamentos, seja pela proximidade a áreas de drenagem, onde a probabilidade de ocorrência de enchentes é mais alta”, conclui o estudo.

Repórter de política em Brasília, com foco na cobertura dos Três Poderes. É formado em Jornalismo pela Universidade de Brasília (UnB) e atuou por três anos na CNN Brasil, onde integrou a equipe de cobertura política na capital federal. Foi finalista do Prêmio de Jornalismo da Confederação Nacional do Transporte (CNT) em 2023.

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