Juiz acusado de assédio recebeu R$ 300 mil no último trimestre

Detalhamento da folha de pagamento aponta que Fischer recebeu R$ 114.464,25 em dezembro, R$ 104.898,54 em janeiro de 2026 e R$ 80.766,00 em fevereiro

Investigações detalham episódios graves de abuso de poder e assédio físico

O Conselho Nacional de Justiça (CNJ) negou, nesta terça-feira (3), recurso do desembargador substituto João Luís Fischer Dias, mantendo sua aposentadoria compulsória determinada pelo Tribunal de Justiça do Distrito Federal (TJDF).

Afastado de suas funções desde agosto de 2023 por acusações de assédio sexual e stalking contra servidoras, o magistrado acumulou vencimentos que somam R$ 300 mil líquidos apenas nos últimos três meses. O detalhamento da folha de pagamento aponta que Fischer recebeu R$ 114.464,25 em dezembro, R$ 104.898,54 em janeiro de 2026 e R$ 80.766,00 em fevereiro.

Durante a sessão presidida pelo ministro Edson Fachin, a conselheira e relatora Daiane Nogueira de Lira apresentou um voto contundente, classificando a conduta do magistrado como totalmente incompatível com a carreira.

Segundo a relatora, os relatos de que Fischer Dias utilizava sua posição hierárquica para coagir e amedrontar subordinadas configuram tipos penais e não permitem sanções brandas. O acórdão destaca que a retidão de caráter e o respeito aos subordinados são pilares essenciais para a confiança no Judiciário, indo além da qualidade técnica das decisões.

As investigações detalham episódios graves de abuso de poder e assédio físico. O caso mais crítico teria ocorrido em agosto de 2022, quando uma servidora relatou ter sido agarrada pelas costas e tocada nas nádegas após se recusar a sentar no colo do juiz durante uma reunião sobre sua nomeação para um cargo comissionado.

Outras denúncias incluem o envio de mensagens insistentes com convites para vinhos e sítios, o monitoramento de fotos antigas em redes sociais e contatos obsessivos que persistiram mesmo após o bloqueio do número do magistrado, caracterizando a prática de perseguição.

Além do assédio sexual, um terceiro processo administrativo descreve um ambiente de trabalho tóxico sob a gestão de Fischer Dias, permeado por episódios de assédio moral, comentários racistas, pedidos de favores pessoais e retaliações administrativas. Servidores relataram o esvaziamento de funções e a substituição de cargos após a recusa de convites de natureza não profissional.

Em sua defesa no plenário, João Luís Fischer Dias alegou ser vítima de uma “grande injustiça” motivada por “viés político”. O magistrado, que agora atua como advogado, minimizou as acusações classificando-as como um “mal-entendido” orquestrado por um grupo de colaboradoras insatisfeitas com o fim do regime de teletrabalho.

Fischer ressaltou seu histórico pessoal de 35 anos de casado e afirmou que sempre defendeu a igualdade de gênero, atribuindo as denúncias a uma reação contra suas cobranças por disciplina administrativa.

Com informações de Estadão Conteúdo

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