A vitória e os discursos do ator
Wagner Moura e do cineasta
Kleber Mendonça Filho no
Globo de Ouro, no último domingo (11), nos Estados Unidos, incomodaram o deputado federal e ex-secretário especial da Cultura do governo de
Jair Bolsonaro (PL),
Mário Frias (PL-SP).
O parlamentar, que já havia criticado anteriormente o elenco e a direção do filme O Agente Secreto, fez uma série de postagens nas redes sociais afirmando que Wagner Moura seria um “parasita social”. Em uma das publicações, feitas em inglês, chegou a marcar o
secretário de Estado do governo de Donald Trump, Marco Rubio. “Ele [Wagner Moura] explora o sofrimento [das pessoas] como palco para inflar o próprio ego e vender a ilusão do ‘artista politicamente consciente’ no exterior”, escreveu o ex-secretário.
Em outra publicação, Frias afirmou que o ator baiano não é “consciência moral nenhuma” e voltou a atacá-lo, dizendo que ele é um “oportunista confortável que assiste ao próprio povo sangrar”.
Vencedor do prêmio de
Melhor Ator em Filme de Drama por
O Agente Secreto, Wagner Moura é um crítico declarado do ex-presidente Bolsonaro. Durante o discurso no palco do Globo de Ouro, o ator celebrou a cultura brasileira e afirmou que o longa, estrelado por ele, fala sobre “memória, ou a falta de memória, um trauma geracional”.
O filme retrata a história de um professor que sai de São Paulo em direção ao Recife durante a
ditadura militar.
Antes da vitória no Globo de Ouro, o ator afirmou, em entrevista ao The Hollywood Reporter, ter sido
alvo de uma “censura cínica” durante o governo Bolsonaro. “Não uma censura igual à da ditadura, mas uma censura cínica, em que eles tornam seu filme impossível de ser lançado”, relatou.
Wagner Moura falava sobre a parceria com
Kleber Mendonça Filho — colaboração que, segundo ele, se fortaleceu por meio da política. “O Brasil, de 2018 a 2022 [governado por Bolsonaro], passou por um momento muito difícil, e quem se manifestava contra o que estava acontecendo sofria as consequências. Nós dois sofremos”, contou.
Em 2021, o ator afirmou à Folha de São Paulo que o longa
Marighella foi censurado pela
Agência Nacional do Cinema (Ancine) por se tratar da biografia de
Carlos Marighella, guerrilheiro que lutou contra o governo militar.
O filme demorou a estrear nos cinemas devido à pandemia e a um imbróglio envolvendo a agência. “As negativas da Ancine para lançar e, depois, o arquivamento dos nossos pedidos não têm explicação. E isso veio numa época em que Bolsonaro falava publicamente sobre a filtragem da agência”, disse Moura à época.
Na noite de domingo, após
O Agente Secreto também vencer a categoria de
Melhor Filme de Língua Não Inglesa, o diretor Kleber Mendonça Filho afirmou, em coletiva de imprensa, que o Brasil passou pelo que chamou de “uma forte inclinação à direita” — movimento que, segundo ele, foi superado. Para jornalistas de diversos países, o cineasta ainda chamou Bolsonaro de “irresponsável” e relembrou que o
ex-presidente foi preso por tentativa de golpe de Estado.
Sem citar diretamente o nome do diretor, o ex-secretário especial da Cultura afirmou que Bolsonaro “foi o único presidente que se preocupou com os verdadeiros artistas”. Em uma longa postagem, o deputado disse que o ex-presidente desestabilizou “uma máfia histórica” na pasta cultural.
Lula comemora vitória brasileira
Por outro lado, o
presidente Lula (PT) comemorou as vitórias brasileiras em Hollywood. Nas redes sociais, ele afirmou que O Agente Secreto é um filme essencial “para não deixar cair no esquecimento a violência da ditadura e a capacidade de resistência do povo brasileiro”.