Ex-secretário de Bolsonaro rebate Wagner Moura após o ator falar em ‘censura cínica’

O brasileiro afirmou, em 2021, que o governo dificultou o lançamento do longa Marighella, o que foi negado pelo ex-secretário de Cultura Mário Frias

Wagner Moura, em outras ocasiões, já chegou a criticar ações do governo do ex-presidente Jair Bolsonaro.

O deputado federal Mário Frias (PL-SP), ex-secretário de Cultura do governo do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), rebateu as críticas feitas pelo ator Wagner Moura à revista The Hollywood Reporter na última sexta-feira (2).

Em conversa com outros atores, o protagonista de O Agente Secreto afirmou ter sido alvo de uma “censura cínica” durante o governo Bolsonaro. “Não uma censura igual à da ditadura, mas uma censura cínica, em que eles tornam seu filme impossível de ser lançado”, relatou.

Nas redes sociais, Frias afirmou que Wagner Moura “mente muito” e acusou o ator de defender ditaduras, segundo ele, socialistas na América Latina. “O mesmo ator que discursa sobre censura é aquele que fez campanha política para Lula, um líder que apoia Nicolás Maduro [ presidente da Venezuela capturado no último sábado (3) por militares dos Estados Unidos]”, escreveu no X, antigo Twitter.

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Na mesa-redonda com nomes como Jacob Elordi, Dwayne Johnson, Adam Sandler e Michael B. Jordan, Wagner Moura falava sobre a parceria com o diretor do longa brasileiro indicado ao Globo de Ouro na categoria de Melhor Filme Estrangeiro, Kleber Mendonça Filho — colaboração que, segundo ele, se fortaleceu por meio da política. “O Brasil, de 2018 a 2022 [governado por Bolsonaro], passou por um momento muito difícil, e quem se manifestava contra o que estava acontecendo sofria as consequências. Nós dois sofremos”, contou.

Frias rebateu acusando o ator de ser “sustentado pelo mesmo Estado que oprime, prende ilegalmente e mata o próprio povo”. O parlamentar e ex-secretário classificou como “vergonhoso” ver o brasileiro e outros atores de Hollywood sentados à mesa, “protegidos por milhões de dólares”, discutindo um tema que, segundo ele, “claramente não conhecem”.

Essa, no entanto, não foi a primeira vez que o ator elevou o tom ao falar sobre censura durante a gestão do ex-presidente. Em entrevista à Folha de São Paulo em 2021, Wagner Moura afirmou que o filme Marighella, que marcou sua estreia na direção, havia sido censurado pela Agência Nacional do Cinema (Ancine), órgão vinculado ao governo federal, por se tratar de uma biografia de Carlos Marighella, guerrilheiro que lutou contra a ditadura militar.

O longa demorou para estrear nos cinemas devido à pandemia e a um imbróglio envolvendo a agência. “As negativas da Ancine para lançar e, depois, o arquivamento dos nossos pedidos não têm explicação. E isso veio numa época em que Bolsonaro falava publicamente sobre a filtragem da agência”, disse Moura à época.

O Agente Secreto foi indicado ao Globo de Ouro 2026 nas categorias de Melhor Filme de Drama e Melhor Filme de Língua Não Inglesa. Wagner Moura também recebeu indicação na categoria de Melhor Ator em Filme de Drama. A cerimônia de entrega dos prêmios acontece no próximo domingo (11), nos Estados Unidos.

O longa, que retrata a história de um professor universitário que viaja a Recife para encontrar o filho caçula, apesar dos riscos impostos pela ditadura militar, também é apontado como uma aposta para o Oscar. Wagner Moura figura entre os cotados para disputar a estatueta de Melhor Ator.

Graduada em Jornalismo pela Universidade Federal de Minas Gerais, com passagem pela Rádio UFMG Educativa. Na Itatiaia, já foi produtora de programas da grade e repórter da Central de Trânsito Itatiaia Emive.

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