Países da América Latina comentam operação militar dos Estados Unidos na Venezuela

Governos da região condenam ofensiva militar e defendem soberania venezuelana

O presidente da Venezuela, Nicolás Maduro e sua esposa Cilia Flores.

Países da América Latina se manifestaram neste sábado (3) sobre a operação militar dos Estados Unidos na Venezuela. Governos de Chile, Colômbia e México condenaram a ofensiva e defenderam o respeito ao direito internacional, à soberania e à integridade territorial do país.

A Argentina, por outro lado, celebrou a captura do presidente venezuelano Nicolás Maduro. Já a Bolívia classificou o governo da Venezuela como um “narcoestado” e defendeu uma transição política no país.

Veja o que dizem países da América Latina

Colômbia

O presidente da Colômbia, Gustavo Petro, afirmou que o país adota uma posição voltada para a preservação da paz regional. Ele fez um apelo para que as partes envolvidas evitem ações que possam intensificar o confronto e priorizem o diálogo e os canais diplomáticos.

“A Colômbia reafirma seu compromisso inabalável com os princípios consagrados na Carta das Nações Unidas, em particular o respeito à soberania e integridade territorial dos Estados, a proibição do uso ou da ameaça de força e a solução pacífica de controvérsias internacionais. Nesse sentido, o governo colombiano rejeita qualquer ação militar unilateral que possa agravar a situação ou colocar em risco a população civil”, disse Petro, por meio das redes sociais.

Segundo o presidente colombiano, medidas preventivas já foram adotadas para proteger a população civil e garantir a estabilidade na fronteira entre Colômbia e Venezuela. Ele afirmou ainda que o país está preparado para responder a possíveis demandas humanitárias ou migratórias, em coordenação com autoridades locais e agências competentes.

“Que Bolívar proteja o povo venezuelano e os povos da América Latina”, finalizou.

Chile

O presidente do Chile, Gabriel Boric, também se manifestou nas redes sociais e defendeu uma resolução pacífica para a crise venezuelana. Segundo ele, o conflito deve ser enfrentado por meio do diálogo e do multilateralismo, e não pela violência ou interferência estrangeira.

“O Chile reafirma seu compromisso com os princípios fundamentais do direito internacional, como a proibição do uso da força, a não intervenção, a solução pacífica de controvérsias internacionais e a integridade territorial dos Estados”, escreveu no X (antigo Twitter).

México

A presidente do México, Claudia Sheinbaum, condenou a operação militar dos Estados Unidos na Venezuela. Em publicação no X, ela citou o Artigo 2º, parágrafo 4º, da Carta das Nações Unidas.

“Os membros da Organização devem abster-se, em suas relações internacionais, da ameaça ou do uso da força contra a integridade territorial ou a independência política de qualquer Estado ou de qualquer outra forma incompatível com os Propósitos das Nações Unidas”, afirmou.

Argentina

O presidente da Argentina, Javier Milei, divulgou um comunicado oficial no qual disse celebrar “a captura do ditador venezuelano Nicolás Maduro por parte do governo dos Estados Unidos da América”.

Milei classificou a Venezuela como um “inimigo da liberdade” no continente e comparou o país a Cuba nos anos 1960. Os Estados Unidos mantêm, há mais de 60 anos, um bloqueio econômico contra Cuba com o objetivo de alterar o regime político do país. O embargo é condenado pela maioria da comunidade internacional, que o considera uma violação do direito internacional.

Bolívia

A Bolívia divulgou nota por meio do Ministério das Relações Exteriores afirmando apoio “firme e imediato” ao povo venezuelano no que classificou como um processo de recuperação da democracia.

O governo do presidente Rodrigo Paz declarou que “considera inadiável o início de uma transição democrática real que ponha fim ao narcoestado, desmonte os mecanismos de repressão e corrupção e restabeleça a legitimidade institucional conforme a vontade soberana do povo venezuelano”.

Sobre a operação

A operação militar dos Estados Unidos na Venezuela na madrugada deste sábado (3) representa um novo episódio de intervenções diretas de Washington na América Latina. A última invasão norte-americana a um país da região ocorreu em 1989, no Panamá, quando o então presidente Manuel Noriega foi capturado sob acusações de narcotráfico.

Assim como no caso de Noriega, os Estados Unidos acusam Nicolás Maduro de liderar um suposto cartel venezuelano conhecido como Cartel de los Soles, sem apresentar provas públicas. Especialistas em tráfico internacional de drogas questionam a existência da organização.

O governo de Donald Trump oferecia uma recompensa de US$ 50 milhões por informações que levassem à prisão de Maduro.

Confira o discurso completo de Donald Trump após ataque à Venezuela e captura de Maduro

Para críticos, a ofensiva militar tem motivações geopolíticas, como afastar a Venezuela de aliados estratégicos dos Estados Unidos, entre eles China e Rússia, além de ampliar o controle sobre o petróleo venezuelano, país que detém as maiores reservas comprovadas de petróleo do mundo.

Com agências
(Sob supervisão de Bruno Furtado)

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Izabella Gomes se graduou em Jornalismo na PUC Minas. Na Itatiaia, produziu inicialmente conteúdos para as editorias Minas Gerais, Brasil e Mundo. Atualmente, colabora com a editoria Educação.

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