Última aparição pública de Maduro, pouco tempo antes de ser capturado, foi encontro com enviados da China

Reunião no Palácio de Miraflores aconteceu horas antes de operação militar dos Estados Unidos que retirou o líder venezuelano de Caracas

O presidente da Venezuela, Nicolás Maduro e sua esposa Cilia Flores.

A última atividade oficial de Nicolás Maduro antes de ser capturado pelo Exército dos EUA aconteceu no Palácio de Miraflores, em Caracas. O então líder venezuelano recebeu uma delegação enviada pelo presidente da China, Xi Jinping, e chegou a celebrar publicamente a aproximação entre os dois países. Poucas horas depois, segundo informações divulgadas pelos Estados Unidos, ele foi retirado da capital venezuelana durante uma operação militar na madrugada deste sábado (3).

No encontro com os chineses, Maduro apareceu sorridente ao lado do enviado especial chinês Qui Xiaoqi e compartilhou registros do encontro nas redes sociais. Em uma das publicações, afirmou que a reunião reafirmava o compromisso com a relação estratégica entre China e Venezuela e comemorou a união entre os dois países. Foram ao menos duas postagens, acompanhadas de fotos oficiais.

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Relatos indicavam que, enquanto explosões eram registradas em Caracas e em outros pontos do país, a delegação chinesa ainda permanecia em território venezuelano. Horas após o encontro diplomático, os Estados Unidos iniciaram uma ação militar para retirar Maduro do poder.

Operação dos EUA na Venezuela

No sábado, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, informou publicamente que Maduro havia sido capturado e levado para fora da Venezuela junto com a esposa, Cilia Flores. Em uma mensagem na rede Truth Social, Trump afirmou que a operação foi bem sucedida e realizada com apoio das forças de segurança norte americanas. Ele também anunciou que mais detalhes seriam apresentados em uma coletiva de imprensa em Mar a Lago.

De acordo com informações divulgadas pela jornalista Jennifer Jacobs, da CBS News, a operação foi conduzida pela Delta Force, unidade de elite do Exército dos Estados Unidos. A ação ocorreu de forma coordenada em Caracas e em outros pontos do país, superando rapidamente as defesas chavistas, que teriam sido neutralizadas no início da missão.

A Delta Force é conhecida pelo perfil discreto e pela atuação em operações de alto risco. A unidade conta com cerca de dois mil integrantes, sendo entre trezentos e quatrocentos operadores de combate, organizados em sete esquadrões com diferentes funções, incluindo ações diretas e missões clandestinas.

Após a captura, autoridades norte americanas confirmaram que Maduro e a esposa foram formalmente acusados no tribunal do Distrito Sul de Nova York. A procuradora geral Pamela Bondi informou que os dois respondem por crimes como conspiração para narcoterrorismo, tráfico internacional de drogas, importação de cocaína, além de posse e conspiração para uso de armas pesadas contra os Estados Unidos.

Segundo Bondi, as acusações têm alcance internacional e os réus deverão enfrentar a Justiça federal em solo norte americano. Ela também agradeceu às autoridades envolvidas na operação e destacou o apoio do presidente Trump na condução do caso.

Maduro é apontado pelas autoridades dos Estados Unidos como líder do chamado Cartel de los Soles, organização incluída na lista de grupos narcoterroristas pelo governo norte americano. Entre as acusações estão vínculos com organizações armadas e o uso do narcotráfico como ferramenta política.

Jornalista graduado com ênfase em multimídia pelo Centro Universitário Una. Com mais de 10 anos de experiência em jornalismo digital, é repórter do Tribunal de Justiça de Minas Gerais. Antes, foi responsável pelo site da Revista Encontro, e redator nas agências de comunicação Duo, FBK, Gira e Viver.

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