Reajuste dos servidores: deputados criticam valor anunciado por Zema

Parlamentares questionam percentual de 5,4% de recomposição salarial anunciado pelo governador nesta segunda-feira (2)

Assembleia lotada em dia de votar reajuste de servidores em 2024. Cena deve se repetir neste ano

O reajuste de 5,4% para os servidores públicos de Minas Gerais, anunciado nesta segunda-feira (2) pelo governador Romeu Zema (Novo), foi considerado por deputados da oposição na Assembleia Legislativa de Minas (ALMG) como “inaceitável” e distante do prometido para o funcionalismo mineiro.

O deputado Sargento Rodrigues (PL) afirmou que, no caso das forças de segurança, o valor não chega perto das perdas com a inflação. Ele relembrou ainda uma promessa feita por Zema em 2019, que não foi cumprida.

“O 5,4% de reajuste anunciado pelo governo Zema caiu como uma bomba na cabeça dos servidores, em especial dos servidores da segurança pública. A perda pela inflação acumulada é de 52,33%. Agora, não era de se esperar que o sr. Romeu Zema fizesse algo extraordinário. Até porque ele chegou a assinar uma ata, prometendo três parcelas para a segurança pública, pagou só uma e ignorou as outras”, afirmou Rodrigues.

“Não era de se esperar. Nós esperamos que os servidores deem uma resposta, cobrando dele nas ruas”, finalizou o deputado.

O deputado Cristiano Caporezzo (PL), que também representa a segurança pública na ALMG, também lamentou o percentual apresentado por Zema. O parlamentar afirmou que pretende apresentar uma contra-proposta aumentando o valor durante a tramitação dos projetos no Legislativo.

“No que pese o reajuste salarial estar acima da inflação de 2025, que foi de 4,26%, mais uma vez o governo de Minas tratou a segurança pública com a mesma regra uniforme dos servidores em geral. Isto é inaceitável, diante do fato que as perdas inflacionárias das policiais acumulam um valor extremamente maior. Por causa disso, eu não apenas pretendo, como por uma questão de justiça preciso apresentar essa proposta de recomposição”, afirmou Caporezzo.

Representante do bloco Democracia e Luta, a deputada Beatriz Cerqueira (PT), também criticou o percentual de reajuste e disse que a recomposição salarial para repor as perdas inflacionárias não acontece ano a ano, como determina a lei.

“É preciso lembrar que a inflação e, portanto, a perda de poder aquisitivo dos salários não acontece de quatro em quatro anos. E o governo Zema faz política de piso como se fosse uma política a cada 4 anos. É como se não tivesse a obrigação constitucional de fazer a recomposição da inflação anualmente. Para o servidor 5%, enquanto para os seus próprios secretários, para o seu vice e para ele mesmo, mais de 250% de aumento; Então, temos aí uma grande contradição”, questionou a parlamentar..

Governistas avaliam possível negociação

Cássio Soares (PSD), líder do maior bloco governista da Assembleia, afirma que a proximidade das eleições e as pretensões do vice-governador Mateus Simões (PSD) se eleger ao Governo de Minas não afetarão a forma como a situação observará eventuais emendas com objetivo de majorar o percentual do reajuste.

“Primeiro vamos ter que ouvir do governador se esse número de 5,4% é passível de negociação ou se está dentro do limite máximo possível para o estado. Se ele falar que é o limite máximo, nós vamos fechar e votar isso. E, é óbvio, a discussão política vai refutar qualquer emenda eleitoreira, porque é muito fácil um deputado da oposição propor 15% de reajuste mesmo sendo impraticável, inviável essa circunstância”, disse.

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Repórter de política da Itatiaia, é jornalista formado pela UFMG com graduação também em Relações Públicas. Foi repórter de cidades no Hoje em Dia. No jornal Estado de Minas, trabalhou na editoria de Política com contribuições para a coluna do caderno e para o suplemento de literatura.
Editor de Política. Formado em Comunicação Social pela PUC Minas e em História pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Já escreveu para os jornais Estado de Minas, O Tempo e Folha de S. Paulo.

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