Mendonça dispensa Campos Neto de depor na CPI do Crime Organizado

Ministro do STF transforma convocação em convite e garante direito ao silêncio ao ex-presidente do Banco Central

Campos Neto ex-presidente do Banco Central

O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), dispensou o ex-presidente do Banco Central do Brasil (BC), Roberto Campos Neto, de prestar depoimento na CPI do Crime Organizado.

A oitiva estava marcada para esta terça-feira (3), às 9h. Com a decisão, a convocação foi convertida em convite, tornando facultativa a presença de Campos Neto na comissão.

O ex-presidente do BC havia sido convocado pelo colegiado sob o argumento de que o colapso do Banco Master estaria entre os fatos que motivaram a investigação.

Segundo o requerimento aprovado, a oitiva serviria para “coletar informações técnicas e estratégicas” com o objetivo de esclarecer os acontecimentos e aprimorar a legislação.

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Na decisão, Mendonça entendeu que a convocação extrapolava os limites temáticos da CPI e destacou que comissões parlamentares de inquérito devem respeitar o objeto previamente delimitado em sua criação.

O ministro também assegurou, caso Campos Neto opte por comparecer como convidado, uma série de garantias:

  • Direito de permanecer em silêncio diante de perguntas cujas respostas possam implicar risco de autoincriminação;
  • Assistência de advogado durante o depoimento;
  • Vedação a qualquer medida coercitiva ou constrangimento físico ou moral pelo exercício do direito ao silêncio.

No pedido encaminhado ao STF, a defesa de Campos Neto argumentou que não há relação direta entre os fatos investigados pela CPI e sua atuação à frente do Banco Central, o que configuraria desvio de finalidade da comissão. Mendonça acolheu os argumentos.

Repórter de política em Brasília, com foco na cobertura dos Três Poderes. É formado em Jornalismo pela Universidade de Brasília (UnB) e atuou por três anos na CNN Brasil, onde integrou a equipe de cobertura política na capital federal. Foi finalista do Prêmio de Jornalismo da Confederação Nacional do Transporte (CNT) em 2023.

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