O ministro da Defesa, José Múcio Monteiro, afirmou nesta segunda-feira (02) que as Forças Armadas brasileiras estão preparadas para “tempos difíceis”, mas reforçou que o papel do país é de dissuasão e defesa, não de agressão, em meio à guerra entre Estados Unidos, Israel e Irã.
Segundo o ministro, o governo brasileiro acompanha com cautela a escalada militar no Oriente Médio após os ataques iniciados no fim de semana, que já
“Uns têm bomba atômica, outros têm equipamento maior, mas desarmado não tem mais ninguém no mundo. De maneira que eu acho que nós vamos viver permanentemente nesse conflito”, analisou.
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O ministro relatou ainda que recebeu informes atualizados do comandante do Exército, general Tomás Paiva, sobre o desenrolar da situação no Oriente Médio e ressaltou que as Forças Armadas mantêm acompanhamento constante de regiões consideradas sensíveis. Segundo ele, a preparação militar brasileira não tem caráter ofensivo, mas está voltada à proteção do território nacional e de suas riquezas estratégicas.
“A Força Armada brasileira existe para dissuasão. Nós protegemos o nosso país”, afirmou, acrescentando que o objetivo é garantir capacidade de defesa diante de um ambiente internacional cada vez mais incerto. “Nós nos preparamos para tempos difíceis, mas estamos torcendo sempre pela paz”, Finalizou.
Defesa cobra mais financiamento
Durante a entrevista, Múcio voltou a defender o aumento dos investimentos em defesa, argumentando que a necessidade de reequipamento das Forças Armadas não decorre apenas da guerra no Oriente Médio, mas de uma defasagem histórica do setor no Brasil. Segundo ele, o país há anos posterga decisões consideradas essenciais para a proteção nacional.
O ministro afirmou que costuma alertar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva sobre a necessidade de ampliar os recursos destinados à área militar, embora reconheça que o governo enfrenta pressões orçamentárias e prioridades em outras áreas, como saúde e educação, alimentação. Ainda assim, defendeu que a defesa nacional não pode ser tratada como tema secundário.
“Você não pode relegar uma coisa que é importantíssima, que é a defesa, por conta de outras prioridades. É também uma prioridade e no Brasil não tem sido”, afirmou.
De acordo com Múcio, o Brasil investe atualmente cerca de 1% do Produto Interno Bruto (PIB) em defesa, percentual inferior ao adotado por diversas nações. Ele citou que países chegam a aplicar entre 5% e 7% de suas economias no setor e defendeu que o mínimo necessário para o país seria atingir 2% do PIB.