A Polícia Civil realizou nesta segunda-feira (2) a reconstituição da
Inicialmente, o caso foi tratado como suicídio. Já a família da policial suspeita que ela tenha sido vítima de feminicídio. Os familiares disseram aos investigadores que a militar vivia um relacionamento abusivo com o marido, o tenente-coronel da PM Geraldo Leite Neto.
Após a divulgação de novas informações e das diligências realizadas pela Polícia Civil, o caso passou a ser investigado como “morte suspeita”.
Familiares desconfiam da versão do marido
Os familiares da soldado Gisele Santana questionam a versão apresentada pelo marido. Eles relataram aos policiais e à imprensa um histórico de ameaças, ciúmes e violência psicológica por parte do tenente-coronel.
A família afirma que a soldado teria se isolado e mudado drasticamente o comportamento após o início do relacionamento com o oficial.
A tia da policial, Maria de Lurdes Huber, afirmou que a sobrinha vivia sob constantes restrições. “Ele proibia ela de usar salto, de usar roupa, de usar batom. Podia ir à academia só com ele. Ninguém podia olhar para ela, ela tinha que andar de cabeça baixa”, disse.
Poucos dias antes de ser encontrada morta, na última quarta-feira (18), Gisele Santana teria pedido ajuda aos familiares. “Pai, vem me buscar porque eu não aguento mais”, escreveu em mensagem enviada à família.
Tenente-coronel apresenta versão diferente
Em versão diferente da apresentada pelos familiares, o tenente-coronel afirmou que a esposa era ciumenta e disse à polícia que pretendia se divorciar por causa do comportamento da militar.
Segundo relato do oficial, ele teria comunicado à esposa a intenção de se separar. De acordo com o depoimento, Gisele ficou nervosa, pediu que ele saísse do quarto e bateu a porta. O militar afirmou que foi tomar banho e, em seguida, ouviu o disparo. Ao sair do banheiro, disse ter encontrado a esposa ferida, com a arma dele na mão.
O tenente-coronel declarou ainda que acionou imediatamente a Polícia Militar, o resgate e telefonou para um amigo, desembargador em São Paulo. Os laudos periciais sobre a trajetória da bala devem auxiliar na elucidação do caso ocorrido no apartamento no Brás.