O Governo Federal
A declaração foi dada durante coletiva de imprensa no Palácio do Planalto, ao lado do ministro da Integração e do Desenvolvimento Regional, Waldez Góes, após reunião com os prefeitos de Ubá e Juiz de Fora - duas das cidades mais atingidas pelos temporais.
Segundo Rui Costa, cerca de R$ 3,5 bilhões em obras estão previstos no Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) para Minas Gerais, mas as propostas teriam sido apresentadas pelos municípios, e não pelo governo estadual. “Infelizmente o governo do Estado não apresentou propostas para a prevenção de acidentes, seja em 2023, 2024 ou 2025”, afirmou.
O ministro disse ainda que, na primeira seleção do novo PAC voltada a obras de prevenção de desastres, Minas teria enviado apenas duas propostas “completamente desenquadradas tecnicamente”. “O Estado de Minas Gerais não demonstrou interesse em apresentar sequer a proposta”, declarou.
Em tom crítico, Rui Costa afirmou que o país estaria dividido entre “aqueles que fazem e aqueles que gravam vídeos”. A fala direcionada ao governador mineiro, que respondeu às críticas do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) por meio das redes sociais.
O embate ocorre desde a última semana, quando Lula atribuiu ao governo estadual a ausência de iniciativas para acessar recursos federais de prevenção. O ministro das Cidades, Jader Filho, afirmou na ocasião que o governo federal teria reservado R$ 3,5 bilhões para Minas, mas que o valor não foi utilizado por falta de projetos do Executivo estadual.
Zema reagiu nas redes sociais, classificando as declarações como “inaceitáveis” e acusando o presidente de espalhar “fake news”. O governador afirmou que Minas apresentou projetos que somam mais de R$ 9 bilhões dentro do PAC e que apenas R$ 280 milhões teriam sido liberados pelo governo federal.
A troca de acusações ocorre enquanto equipes estaduais e federais atuam no atendimento às cidades afetadas por deslizamentos e alagamentos. Durante a visita a Minas, Lula determinou a instalação de um escritório de resposta federal dentro da Prefeitura de Juiz de Fora para acelerar ações emergenciais.
O governo de Minas Gerais foi procurado para comentar as declarações de Rui Costa, mas ainda não se manifestou.