Copasa diz que não conhecia processo em que ex-presidente do conselho é julgado

Companhia afirma que processo estava sob sigilo de Justiça e todas as informações se referem a um período anterior à chegada do executivo ao conselho da Copasa

Mudança na presidência do Conselho Administrativo da Copasa foi comunicada ao mercado nesta quinta (12)

A Copasa afirmou que não tinha conhecimento sobre o processo em que Hamilton Amadeo, ex-presidente do Conselho Administrativo da empresa, confessou em uma delação ter orquestrado um esquema de pagamento de propinas em favor da Aegea, uma empresa privada de saneamento.

Em nota enviada à Itatiaia, a Copasa afirma que os processos corriam sob sigilo de Justiça e que todos os fatos delatados pelo executivo dizem respeito a períodos anteriores à chegada de Amadeo ao conselho da companhia.

“A eleição de membros para o Conselho de Administração da Copasa cumpre rigorosamente os ritos de governança estabelecidos pela Lei das Estatais (Lei nº 13.303/2016) e pela Lei das S.A. (Lei nº 6.404/1976). No ato da investidura, são exigidos todos os documentos comprobatórios dos requisitos de elegibilidade. A Copasa reitera seu compromisso com a transparência e informa que, diante da formalização do pedido de renúncia do conselheiro na quinta-feira (12/02), procedeu com a imediata divulgação de Fato Relevante ao mercado e aos seus acionistas”, diz trecho da nota.

Amadeo renunciou à presidência do Conselho Admnistrativo na quinta-feira (12) após a repercussão de uma reportagem do portal UOL com o conteúdo de delações em que ele relata um esquema de pagamento de propinas para manter ou obter contratos de concessão de serviços de saneamento básico para a empresa Aegea.

Amadeo compôs o conselho da Copasa desde 2022 e presidiu o colegiado durante o processo de privatização da empresa. A venda da companhia de saneamento foi aprovada em dezembro do ano passado pela Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG) a partir de um projeto do governador Romeu Zema (Novo). Segundo a matéria do UOL, a delação premiada do executivo foi aprovada em fevereiro de 2025.

Amadeo responde ao processo em que acertou a delação no Supremo Tribunal de Justiça (STJ) em prisão domiciliar. Segundo o conteúdo dos relatos expostos na reportagem, ele confessa ter coordenado um esquema milionário de pagamento de propinas que movimentou cerca de R$ 63 milhões em propinas entre 2010 e 2018.

O grupo operava por meio de notas frias; contratos fictícios de prestação de consultoria ou locação de equipamentos; e vantagens indiretas (como compra de imóveis e veículos de luxo para políticos) para garantir licitações para a Aegea, empresa privada de saneamento.

Amadeo na Copasa

Hamilton Amadeo começou a integrar o Conselho de Administração da Copasa em 2022 e foi o presidente do colegiado durante o processo de privatização da empresa. A venda da companhia de saneamento foi aprovada em dezembro do ano passado pela Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG) a partir do Projeto de Lei 4.380/2025, enviado à Casa pelo governador Romeu Zema (Novo).

O debate na Casa se deu no âmbito das discussões sobre o Programa de Pleno Pagamento de Dívidas dos Estados (Propag) e foi o mais polêmico e arrastado de um pacote com mais de dez propostas.

O PL 4.380/2025 teve sua tramitação precedida por uma atribulada discussão da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 24/2023, também de autoria de Zema, que derrubou a exigência de um referendo popular para autorizar a privatização da Copasa. A tramitação do texto foi feita de forma acelerada com direito a única reunião marcada para a madrugada no plenário da Assembleia neste século.

A privatização da Copasa, bem como da Gasmig e da Cemig, já integrava a pauta do governo Zema desde o primeiro mandato, mas ganhou novo fôlego com a criação do Programa de Pleno Pagamento de Dívidas dos Estados (Propag). Com o projeto permitindo a privatização e federalização de ativos como forma de pagar a dívida com a União, vários projetos da pauta privatista do Executivo andaram na Assembleia após anos parados, incluindo os imóveis do estado.

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Repórter de política da Itatiaia, é jornalista formado pela UFMG com graduação também em Relações Públicas. Foi repórter de cidades no Hoje em Dia. No jornal Estado de Minas, trabalhou na editoria de Política com contribuições para a coluna do caderno e para o suplemento de literatura.

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