Moraes paralisa julgamento sobre anistia para ocultação de cadáver na ditadura

Antes de julgamento ser suspenso, relator do caso votou para não reconhecer a anistia em crimes permanentes cometidos durante o regime militar

Alexandre de Moraes e Flávio Dino

O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), pediu vista — mais tempo para análise — e paralisou nesta sexta-feira (13) o julgamento que discute se a Lei da Anistia pode ser aplicada a crimes cometidos durante a ditadura militar que permanecem sem solução até hoje.

Antes de Moraes paralisar o julgamento, o relator do caso, ministro Flávio Dino, havia votado para que a anistia não fosse aplicada a crimes permanentes que aconteceram na ditatura militar, como ocultação de cadáver, sequestro e cárcere privado.

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A análise do caso começou nesta sexta e acontecia no plenário virtual da Corte, onde não discussão entre os ministros que apenas depositam os seus votos em um sistema eletrônico.

Com o pedido de vista, Moraes tem até 90 dias para devolver o caso para julgamento, que deverá ser pautado em uma nova data pela Corte.

O Caso

A discussão envolve um recurso apresentado pelo Ministério Público Federal (MPF) no Pará, que busca a condenação dos militares Lício Maciel e Sebastião Curió, conhecido como Major Curió.

Ambos são acusados por homicídio qualificado e ocultação de cadáver durante a Guerrilha do Araguaia, no período do regime militar.

Segundo o processo, Maciel teria matado três opositores em 1973 “mediante emboscada e por motivo torpe”, além de ocultar os restos mortais. Curió, que morreu em 2022, foi acusado de participar da ocultação de cadáveres entre 1974 e 1976.

O MPF recorreu ao STF após a Justiça Federal do Pará e o Tribunal Regional Federal da 1ª Região aplicarem a Lei da Anistia, entendendo que os crimes estariam perdoados por se tratarem de delitos políticos.

O caso tem repercussão geral, o que significa que a decisão do STF deverá ser seguida por todas as instâncias da Justiça em processos semelhantes.

Repórter de política em Brasília, com foco na cobertura dos Três Poderes. É formado em Jornalismo pela Universidade de Brasília (UnB) e atuou por três anos na CNN Brasil, onde integrou a equipe de cobertura política na capital federal. Foi finalista do Prêmio de Jornalismo da Confederação Nacional do Transporte (CNT) em 2023.

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