Toffoli deixa a relatoria do caso Master

A medida acontece após mensagens com menções a Toffoli terem sido encontradas no celular de Daniel Vorcaro, dono do banco, pela Polícia Federal

O ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal

Após uma reunião a portas fechadas nesta quinta-feira (12), os dez ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) anunciaram, em nota, que o ministro Dias Toffoli vai deixar a relatoria do caso do Banco Master.

A medida acontece após mensagens com menções a Toffoli terem sido encontradas no celular de Daniel Vorcaro, dono do banco, pela Polícia Federal (PF).

Na decisão, os ministros da Corte afirmaram “não ser caso de cabimento para a arguição de suspeição”, que reconhecem “a plena validade dos atos praticados pelo Ministro Dias Toffoli” e que expressam “apoio pessoal ao Exmo. Min. Dias Toffoli, respeitando a dignidade de Sua Excelência, bem como a inexistência de suspeição ou de impedimento”.

Segundo apurou a Itatiaia, os diálogos fariam referência a pagamentos e tratativas envolvendo o nome de Toffoli.

O aparelho foi apreendido em novembro durante a Operação Compliance Zero. O Banco Master foi posteriormente liquidado pelo Banco Central (BC). O inquérito chegou ao STF por determinação do próprio Toffoli, após pedido da defesa de Vorcaro.

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Leia a nota na Íntegra

Os dez Ministros do Supremo Tribunal Federal, reunidos em 12 de fevereiro de 2026, considerando o contido no processo de número 244 AS, declaram não ser caso de cabimento para a arguição de suspeição, em virtude do disposto no art. 107 do Código de Processo Penal e no art. 280 do Regimento Interno do STF.

Reconhecem, assim, a plena validade dos atos praticados pelo Ministro Dias Toffoli na relatoria da Reclamação n. 88.121 e de todos os processos a ela vinculados por dependência.

Expressam, neste ato, apoio pessoal ao Exmo. Min. Dias Toffoli, respeitando a dignidade de Sua Excelência, bem como a inexistência de suspeição ou de impedimento. Anote-se que Sua Excelência atendeu a todos os pedidos formulados pela PF e PGR.

Registram, ainda, que a pedido do Ministro Dias Toffoli, levando em conta a sua faculdade de submeter à Presidência do Tribunal questões para o bom andamento dos processos (RISTF, art. 21, III) e considerados os altos interesses institucionais, a Presidência do Supremo Tribunal Federal, ouvidos todos os Ministros, acolhe comunicação de Sua Excelência quanto ao envio dos feitos respectivos sob a sua Relatoria para que a Presidência promova a livre redistribuição.

A Presidência adotará as providências processuais necessárias, para a extinção da AS e para remessa dos autos ao novo Relator.

Assinam:

  • Luiz Edson Fachin, Presidente
  • Alexandre de Moraes, Vice-Presidente
  • Gilmar Mendes
  • Cármen Lúcia
  • Dias Toffoli
  • Luiz Fux
  • André Mendonça
  • Nunes Marques
  • Cristiano Zanin
  • Flávio Dino

Nota de Toffoli

Em nota divulgada mais cedo nesta quinta-feira, Toffoli esclareceu sua participação societária na empresa Maridt. Ele negou relação pessoal ou financeira com o banqueiro Daniel Vorcaro.

Desde que assumiu o caso, o ministro decretou sigilo absoluto na investigação, marcou acareação entre Vorcaro e um diretor do BC responsável pela liquidação do banco, criticou a atuação da Polícia Federal e designou peritos da corporação para analisar o material apreendido.

A condução do processo foi questionada por parlamentares do Novo e do PL, que apresentaram representação pedindo o afastamento do ministro por possível impedimento ou suspeição. Em 22 de janeiro, o procurador-geral da República, Paulo Gonet, arquivou o pedido.

Entre os argumentos apresentados pelos deputados estava uma viagem de Toffoli, em novembro de 2025, para assistir à final da Libertadores, em Lima, no mesmo voo particular que um advogado que defende um diretor do Banco Master.

Participação societária

Na nota divulgada nesta quinta, o gabinete sustenta que a Maridt é uma sociedade anônima de capital fechado, regularmente registrada e com declarações apresentadas à Receita Federal. Segundo o ministro, ele integra o quadro societário, mas a administração é exercida por parentes, conforme prevê a Lei Orgânica da Magistratura, que veda a magistrados apenas atos de gestão.

De acordo com a nota, a empresa integrou o grupo Tayaya Ribeirão Claro até 21 de fevereiro de 2025. A saída ocorreu em duas etapas: venda de cotas ao fundo Arleen, em setembro de 2021, e alienação do saldo remanescente à PHD Holding, em fevereiro deste ano. As operações, afirma o gabinete, foram realizadas a valor de mercado e declaradas à Receita.

A venda parcial das cotas, em 2021, superou R$ 3 milhões e teve como comprador o fundo Arleen, controlado pela Reag, administradora de investimentos ligada ao Banco Master.

Segundo o Banco Central, a Reag e o Master estruturaram operações combinadas para que recursos circulassem entre fundos previamente organizados.

Em agosto de 2025, a Reag foi alvo de busca e apreensão na operação Carbono Oculto, que mirou esquema de lavagem de dinheiro atribuído ao PCC.

A família Toffoli e o fundo Arleen permaneceram como sócios do resort entre setembro de 2021 e 2025. A família vendeu sua participação em fevereiro; o fundo deixou a sociedade em julho.

Jornalista pela UFMG, Lucas Negrisoli é editor de política. Tem experiência em coberturas de política, economia, tecnologia e trends. Tem passagens como repórter pelo jornal O Tempo e como editor pelo portal BHAZ. Foi agraciado com o prêmio CDL/BH em 2024.
Repórter de política em Brasília, com foco na cobertura dos Três Poderes. É formado em Jornalismo pela Universidade de Brasília (UnB) e atuou por três anos na CNN Brasil, onde integrou a equipe de cobertura política na capital federal. Foi finalista do Prêmio de Jornalismo da Confederação Nacional do Transporte (CNT) em 2023.
Jornalista com trajetória na cobertura dos Três Poderes. Formada pelo Instituto de Educação Superior de Brasília (Iesb), atuou como editora de política nos jornais O Tempo e Poder360. Atualmente, é coordenadora de conteúdo na Itatiaia na capital federal.

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