O ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), confirmou nesta quinta-feira (12) ter sido sócio da empresa Maridt Participações, ligada ao resort Tayayá, no Paraná, mas negou ter recebido valores ou mantido relação de amizade com o empresário Daniel Vorcaro, dono do Banco Master.
A manifestação ocorre após a apreensão de mensagens no celular de Vorcaro que fariam menção a pagamentos e tratativas envolvendo o nome do ministro. Toffoli é o relator, no STF, da investigação que apura suspeitas de fraudes financeiras no Banco Master e que também envolve o próprio empresário.
O celular foi apreendido em novembro na Operação Compliance Zero. O banco foi posteriormente liquidado pelo Banco Central (BC). O inquérito chegou ao Supremo por determinação de Toffoli, após pedido da defesa de Vorcaro.
Desde que assumiu o caso, o ministro decretou sigilo absoluto na investigação, marcou acareação entre Vorcaro e um diretor do BC responsável pela liquidação do banco, criticou a atuação da Polícia Federal e designou peritos da corporação para analisar o material apreendido.
A condução do processo foi questionada por parlamentares do Novo e do PL, que apresentaram representação pedindo o afastamento do ministro por possível impedimento ou suspeição. Em 22 de janeiro, o procurador-geral da República, Paulo Gonet, arquivou o pedido.
Entre os argumentos apresentados pelos deputados estava uma viagem de Toffoli, em novembro de 2025, para assistir à final da Libertadores, em Lima, no mesmo voo particular que um advogado que defende um diretor do Banco Master.
Participação societária
Na nota divulgada nesta quinta, o gabinete sustenta que a Maridt é uma sociedade anônima de capital fechado, regularmente registrada e com declarações apresentadas à Receita Federal. Segundo o ministro, ele integra o quadro societário, mas a administração é exercida por parentes, conforme prevê a Lei Orgânica da Magistratura, que veda a magistrados apenas atos de gestão.
De acordo com a nota, a empresa integrou o grupo Tayaya Ribeirão Claro até 21 de fevereiro de 2025. A saída ocorreu em duas etapas: venda de cotas ao fundo Arleen, em setembro de 2021, e alienação do saldo remanescente à PHD Holding, em fevereiro deste ano. As operações, afirma o gabinete, foram realizadas a valor de mercado e declaradas à Receita.
A venda parcial das cotas, em 2021, superou R$ 3 milhões e teve como comprador o fundo Arleen, controlado pela Reag, administradora de investimentos ligada ao Banco Master.
Segundo o Banco Central, a Reag e o Master estruturaram operações combinadas para que recursos circulassem entre fundos previamente organizados.
Em agosto de 2025, a Reag foi alvo de busca e apreensão na operação Carbono Oculto, que mirou esquema de lavagem de dinheiro atribuído ao PCC.
A família Toffoli e o fundo Arleen permaneceram como sócios do resort entre setembro de 2021 e 2025. A família vendeu sua participação em fevereiro; o fundo deixou a sociedade em julho.
Outras controvérsias
Em janeiro, o jornal “O Estado de S. Paulo” revelou que a sede da Maridt, registrada na Junta Comercial de São Paulo, funcionava em uma casa de 130 m² onde vive José Eugênio Toffoli, irmão do ministro. A mulher dele afirmou ao jornal que desconhecia qualquer vínculo da residência com a empresa ou com o resort.
Também em janeiro, reportagem de “O Globo” informou que o STF pagou diárias para seguranças apoiarem autoridades da Corte na região onde fica o empreendimento.
Na nota, Toffoli afirma que desconhece o gestor do fundo Arleen e que “jamais teve qualquer relação de amizade e muito menos amizade íntima” com Vorcaro. O ministro também nega ter recebido qualquer valor do empresário ou de seu cunhado, Fabiano Zettel.
O inquérito que apura a derrocada do Banco Master segue sob sigilo no STF.