A presença de Hamilton Amadeo na presidência do Conselho Administrativo da Copasa pode ferir a Lei Federal nº 13.303/2016, conhecida como a ‘Lei das Estatais’. O executivo renunciou ao posto na quinta-feira (12) após a
Amadeo compõe o conselho da Copasa desde 2022 e presidiu o colegiado durante o processo de privatização da empresa. A venda da companhia de saneamento foi
Amadeo responde ao processo em que acertou a delação no Supremo Tribunal de Justiça (STJ) em prisão domiciliar. Segundo o conteúdo dos relatos expostos na reportagem, ele confessa ter coordenado um esquema milionário de pagamento de propinas que movimentou cerca de R$ 63 milhões em propinas entre 2010 e 2018.
O grupo operava por meio de notas frias; contratos fictícios de prestação de consultoria ou locação de equipamentos; e vantagens indiretas (como compra de imóveis e veículos de luxo para políticos) para garantir licitações para a Aegea, empresa privada de saneamento.
A situação fere a Lei das Estatais em seu artigo 17, que determina que administradores de empresas públicas e sociedades de economia mista possuam reputação ilibada e notório conhecimento. Delator confesso de crimes como corrupção ativa, lavagem de dinheiro e organização criminosa, Amadeo não se enquadra nesse aspecto.
A Itatiaia procurou a Copasa para saber se a companhia sabia das questões judiciais em que Amadeo está envolvido. A empresa respondeu com a nota reproduzida na íntegra a seguir:
A Copasa informa que, conforme comunicado ao mercado via Fato Relevante na noite de quinta-feira (12/02), o Sr. Hamilton Amadeo apresentou sua renúncia ao cargo de presidente do Conselho de Administração da Companhia, com efeitos imediatos.
A Companhia reitera que os fatos reportados pela imprensa referem-se estritamente à trajetória profissional anterior do executivo, sem qualquer vínculo com sua atuação na Copasa ou com a integridade das operações desta instituição.
A Copasa reforça seu compromisso com a ética e a transparência. O processo de sucessão para a Presidência do Conselho seguirá rigorosamente os ritos estabelecidos no Estatuto Social e nas normas de governança vigentes, garantindo a estabilidade e a continuidade da gestão. Os próximos passos serão comunicados via Fato Relevante.
Amadeo na Copasa
Hamilton Amadeo começou a integrar o Conselho de Administração da Copasa em 2022 e foi o presidente do colegiado durante o processo de privatização da empresa. A venda da companhia de saneamento foi
O debate na Casa se deu no âmbito das discussões sobre o Programa de Pleno Pagamento de Dívidas dos Estados (Propag) e foi o mais polêmico e arrastado de um pacote com mais de dez propostas.
O PL 4.380/2025 teve sua tramitação precedida por uma
A privatização da Copasa, bem como da Gasmig e da Cemig, já integrava a pauta do governo Zema desde o primeiro mandato, mas ganhou novo fôlego com a criação do Programa de Pleno Pagamento de Dívidas dos Estados (Propag). Com o projeto permitindo a privatização e federalização de ativos como forma de pagar a dívida com a União, vários projetos da pauta privatista do Executivo andaram na Assembleia após anos parados, incluindo os imóveis do estado.