Apontado como líder de esquema de propinas, presidente do Conselho da Copasa renuncia

Reportagem revelou que Amadeo aparece como operador de um esquema milionário de pagamento de propinas para obter concessões de serviços de saneamento

Alteração no conselho da Copasa se dá em meio à revelação de um esquema de corrupção envolvendo o ex-presidente

O presidente do Conselho de Administração da Copasa, Hamilton Amadeo, renunciou ao posto. A notícia foi confirmada aos acionistas da companhia e ao mercado por meio de nota publicada na noite de quinta-feira (12). A decisão se deu em meio à repercussão da revelação de um esquema de pagamento de propina no período em que o Executivo era CEO da Aegea, uma empresa privada de saneamento.

Uma matéria publicada pelo Portal UOL na quinta-feira cita Amadeo como operador de um esquema milionário de pagamento de propinas a agentes políticos para obter ou manter contratos de concessão de saneamento básico.

A reportagem detalha o conteúdo de delações premiadas que montam o esquema comandado por Amadeo e que movimentou cerca de R$ 63 milhões em propinas entre 2010 e 2018.

O grupo operava por meio de notas frias; contratos fictícios de prestação de consultoria ou locação de equipamentos; e vantagens indiretas (como compra de imóveis e veículos de luxo para políticos) para garantir licitações para a Aegea.

O esquema atuou na concessão de serviços de saneamento em Santa Catarina, Mato Grosso do Sul, Rio de Janeiro, Mato Grosso, São Paulo e Rondônia.

Amadeo na Copasa

Hamilton Amadeo começou a integrar o Conselho de Administração da Copasa em 2022 e foi o presidente do colegiado durante o processo de privatização da empresa. A venda da companhia de saneamento foi aprovada em dezembro do ano passado pela Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG) a partir do Projeto de Lei 4.380/2025, enviado à Casa pelo governador Romeu Zema (Novo).

O debate na Casa se deu no âmbito das discussões sobre o Programa de Pleno Pagamento de Dívidas dos Estados (Propag) e foi o mais polêmico e arrastado de um pacote com mais de dez propostas.

O PL 4.380/2025 teve sua tramitação precedida por uma atribulada discussão da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 24/2023, também de autoria de Zema, que derrubou a exigência de um referendo popular para autorizar a privatização da Copasa. A tramitação do texto foi feita de forma acelerada com direito a única reunião marcada para a madrugada no plenário da Assembleia neste século.

A privatização da Copasa, bem como da Gasmig e da Cemig, já integrava a pauta do governo Zema desde o primeiro mandato, mas ganhou novo fôlego com a criação do Programa de Pleno Pagamento de Dívidas dos Estados (Propag). Com o projeto permitindo a privatização e federalização de ativos como forma de pagar a dívida com a União, vários projetos da pauta privatista do Executivo andaram na Assembleia após anos parados, incluindo os imóveis do estado.

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Repórter de política da Itatiaia, é jornalista formado pela UFMG com graduação também em Relações Públicas. Foi repórter de cidades no Hoje em Dia. No jornal Estado de Minas, trabalhou na editoria de Política com contribuições para a coluna do caderno e para o suplemento de literatura.

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