O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), foi definido, nesta quinta-feira (12), como relator do ‘caso Master’ após a saída de Dias Toffoli.
De acordo com a CNN Brasil, a distribuição do caso foi enviada ao presidente da Corte, Edson Fachin. Participaram do sorteio todos os ministros, menos Toffoli e Fachin.
Mais cedo, depois de uma reunião a portas fechadas, os dez ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) anunciaram, em nota, que o ministro Dias Toffoli deixaria a relatoria do caso do Banco Master.
A medida acontece após mensagens com menções a Toffoli
Caso Master: veja momento em Toffoli deixa reunião fechada entre ministros do STF
— Itatiaia (@itatiaia) February 12, 2026
📹João Rosa | Itatiaia
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Na decisão, os ministros da Corte afirmaram “não ser caso de cabimento para a arguição de suspeição”, que reconhecem “a plena validade dos atos praticados pelo Ministro Dias Toffoli” e que expressam “apoio pessoal ao Exmo. Min. Dias Toffoli, respeitando a dignidade de Sua Excelência, bem como a inexistência de suspeição ou de impedimento”.
Segundo apurou a Itatiaia, os diálogos fariam referência a pagamentos e tratativas envolvendo o nome de Toffoli.
O aparelho foi apreendido em novembro durante a Operação Compliance Zero. O Banco Master foi posteriormente liquidado pelo Banco Central (BC). O inquérito chegou ao STF por determinação do próprio Toffoli, após pedido da defesa de Vorcaro.
Leia a nota na Íntegra
Os dez Ministros do Supremo Tribunal Federal, reunidos em 12 de fevereiro de 2026, considerando o contido no processo de número 244 AS, declaram não ser caso de cabimento para a arguição de suspeição, em virtude do disposto no art. 107 do Código de Processo Penal e no art. 280 do Regimento Interno do STF.
Reconhecem, assim, a plena validade dos atos praticados pelo Ministro Dias Toffoli na relatoria da Reclamação n. 88.121 e de todos os processos a ela vinculados por dependência.
Expressam, neste ato, apoio pessoal ao Exmo. Min. Dias Toffoli, respeitando a dignidade de Sua Excelência, bem como a inexistência de suspeição ou de impedimento. Anote-se que Sua Excelência atendeu a todos os pedidos formulados pela PF e PGR.
Registram, ainda, que a pedido do Ministro Dias Toffoli, levando em conta a sua faculdade de submeter à Presidência do Tribunal questões para o bom andamento dos processos (RISTF, art. 21, III) e considerados os altos interesses institucionais, a Presidência do Supremo Tribunal Federal, ouvidos todos os Ministros, acolhe comunicação de Sua Excelência quanto ao envio dos feitos respectivos sob a sua Relatoria para que a Presidência promova a livre redistribuição.
A Presidência adotará as providências processuais necessárias, para a extinção da AS e para remessa dos autos ao novo Relator.
Assinam:
- Luiz Edson Fachin, Presidente
- Alexandre de Moraes, Vice-Presidente
- Gilmar Mendes
- Cármen Lúcia
- Dias Toffoli
- Luiz Fux
- André Mendonça
- Nunes Marques
- Cristiano Zanin
- Flávio Dino
Nota de Toffoli
Em nota divulgada mais cedo nesta quinta-feira, Toffoli
Desde que assumiu o caso, o ministro decretou sigilo absoluto na investigação, marcou acareação entre Vorcaro e um diretor do BC responsável pela liquidação do banco, criticou a atuação da Polícia Federal e designou peritos da corporação para analisar o material apreendido.
A condução do processo foi questionada por parlamentares do Novo e do PL, que apresentaram representação pedindo o afastamento do ministro por possível impedimento ou suspeição. Em 22 de janeiro, o procurador-geral da República, Paulo Gonet, arquivou o pedido.
Entre os argumentos apresentados pelos deputados estava uma viagem de Toffoli, em novembro de 2025, para assistir à final da Libertadores, em Lima, no mesmo voo particular que um advogado que defende um diretor do Banco Master.
Participação societária
Na nota divulgada nesta quinta, o gabinete sustenta que a Maridt é uma sociedade anônima de capital fechado, regularmente registrada e com declarações apresentadas à Receita Federal. Segundo o ministro, ele integra o quadro societário, mas a administração é exercida por parentes, conforme prevê a Lei Orgânica da Magistratura, que veda a magistrados apenas atos de gestão.
De acordo com a nota, a empresa integrou o grupo Tayaya Ribeirão Claro até 21 de fevereiro de 2025. A saída ocorreu em duas etapas: venda de cotas ao fundo Arleen, em setembro de 2021, e alienação do saldo remanescente à PHD Holding, em fevereiro deste ano. As operações, afirma o gabinete, foram realizadas a valor de mercado e declaradas à Receita.
A venda parcial das cotas, em 2021, superou R$ 3 milhões e teve como comprador o fundo Arleen, controlado pela Reag, administradora de investimentos ligada ao Banco Master.
Segundo o Banco Central, a Reag e o Master estruturaram operações combinadas para que recursos circulassem entre fundos previamente organizados.
Em agosto de 2025, a Reag foi alvo de busca e apreensão na operação Carbono Oculto, que mirou esquema de lavagem de dinheiro atribuído ao PCC.
A família Toffoli e o fundo Arleen permaneceram como sócios do resort entre setembro de 2021 e 2025. A família vendeu sua participação em fevereiro; o fundo deixou a sociedade em julho.