Caso Master: ministro André Mendonça assume relatoria após saída de Dias Toffoli

Medida acontece após mensagens com menções a Toffoli terem sido encontradas no celular de Daniel Vorcaro, dono do banco, pela Polícia Federal (PF)

O ministro André Mendonça, do STF

O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), foi definido, nesta quinta-feira (12), como relator do ‘caso Master’ após a saída de Dias Toffoli.

De acordo com a CNN Brasil, a distribuição do caso foi enviada ao presidente da Corte, Edson Fachin. Participaram do sorteio todos os ministros, menos Toffoli e Fachin.

Mais cedo, depois de uma reunião a portas fechadas, os dez ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) anunciaram, em nota, que o ministro Dias Toffoli deixaria a relatoria do caso do Banco Master.

A medida acontece após mensagens com menções a Toffoli terem sido encontradas no celular de Daniel Vorcaro, dono do banco, pela Polícia Federal (PF).

Na decisão, os ministros da Corte afirmaram “não ser caso de cabimento para a arguição de suspeição”, que reconhecem “a plena validade dos atos praticados pelo Ministro Dias Toffoli” e que expressam “apoio pessoal ao Exmo. Min. Dias Toffoli, respeitando a dignidade de Sua Excelência, bem como a inexistência de suspeição ou de impedimento”.

Segundo apurou a Itatiaia, os diálogos fariam referência a pagamentos e tratativas envolvendo o nome de Toffoli.

O aparelho foi apreendido em novembro durante a Operação Compliance Zero. O Banco Master foi posteriormente liquidado pelo Banco Central (BC). O inquérito chegou ao STF por determinação do próprio Toffoli, após pedido da defesa de Vorcaro.

Leia a nota na Íntegra

Os dez Ministros do Supremo Tribunal Federal, reunidos em 12 de fevereiro de 2026, considerando o contido no processo de número 244 AS, declaram não ser caso de cabimento para a arguição de suspeição, em virtude do disposto no art. 107 do Código de Processo Penal e no art. 280 do Regimento Interno do STF.

Reconhecem, assim, a plena validade dos atos praticados pelo Ministro Dias Toffoli na relatoria da Reclamação n. 88.121 e de todos os processos a ela vinculados por dependência.

Expressam, neste ato, apoio pessoal ao Exmo. Min. Dias Toffoli, respeitando a dignidade de Sua Excelência, bem como a inexistência de suspeição ou de impedimento. Anote-se que Sua Excelência atendeu a todos os pedidos formulados pela PF e PGR.

Registram, ainda, que a pedido do Ministro Dias Toffoli, levando em conta a sua faculdade de submeter à Presidência do Tribunal questões para o bom andamento dos processos (RISTF, art. 21, III) e considerados os altos interesses institucionais, a Presidência do Supremo Tribunal Federal, ouvidos todos os Ministros, acolhe comunicação de Sua Excelência quanto ao envio dos feitos respectivos sob a sua Relatoria para que a Presidência promova a livre redistribuição.

A Presidência adotará as providências processuais necessárias, para a extinção da AS e para remessa dos autos ao novo Relator.

Assinam:

  • Luiz Edson Fachin, Presidente
  • Alexandre de Moraes, Vice-Presidente
  • Gilmar Mendes
  • Cármen Lúcia
  • Dias Toffoli
  • Luiz Fux
  • André Mendonça
  • Nunes Marques
  • Cristiano Zanin
  • Flávio Dino

Nota de Toffoli

Em nota divulgada mais cedo nesta quinta-feira, Toffoli esclareceu sua participação societária na empresa Maridt. Ele negou relação pessoal ou financeira com o banqueiro Daniel Vorcaro.

Desde que assumiu o caso, o ministro decretou sigilo absoluto na investigação, marcou acareação entre Vorcaro e um diretor do BC responsável pela liquidação do banco, criticou a atuação da Polícia Federal e designou peritos da corporação para analisar o material apreendido.

A condução do processo foi questionada por parlamentares do Novo e do PL, que apresentaram representação pedindo o afastamento do ministro por possível impedimento ou suspeição. Em 22 de janeiro, o procurador-geral da República, Paulo Gonet, arquivou o pedido.

Entre os argumentos apresentados pelos deputados estava uma viagem de Toffoli, em novembro de 2025, para assistir à final da Libertadores, em Lima, no mesmo voo particular que um advogado que defende um diretor do Banco Master.

Participação societária

Na nota divulgada nesta quinta, o gabinete sustenta que a Maridt é uma sociedade anônima de capital fechado, regularmente registrada e com declarações apresentadas à Receita Federal. Segundo o ministro, ele integra o quadro societário, mas a administração é exercida por parentes, conforme prevê a Lei Orgânica da Magistratura, que veda a magistrados apenas atos de gestão.

De acordo com a nota, a empresa integrou o grupo Tayaya Ribeirão Claro até 21 de fevereiro de 2025. A saída ocorreu em duas etapas: venda de cotas ao fundo Arleen, em setembro de 2021, e alienação do saldo remanescente à PHD Holding, em fevereiro deste ano. As operações, afirma o gabinete, foram realizadas a valor de mercado e declaradas à Receita.

A venda parcial das cotas, em 2021, superou R$ 3 milhões e teve como comprador o fundo Arleen, controlado pela Reag, administradora de investimentos ligada ao Banco Master.

Segundo o Banco Central, a Reag e o Master estruturaram operações combinadas para que recursos circulassem entre fundos previamente organizados.

Em agosto de 2025, a Reag foi alvo de busca e apreensão na operação Carbono Oculto, que mirou esquema de lavagem de dinheiro atribuído ao PCC.

A família Toffoli e o fundo Arleen permaneceram como sócios do resort entre setembro de 2021 e 2025. A família vendeu sua participação em fevereiro; o fundo deixou a sociedade em julho.

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