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Áurea projeta 'emergência' de lideranças populares na esquerda no pós-Lula

A ex-deputada federal, que irá retornar ao PSOL em dezembro deste ano, afirma que a sucessão do presidente deve vir das bases dos movimentos sociais

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Áurea Carolina
Áurea Carolina, ex-deputada federal e ex-vereadora de BH.

Aos 80 anos, o presidente Lula (PT) afirmou que irá disputar a reeleição em 2026. Caso vença, o petista encerrará o quarto mandato aos 85 anos e não poderá disputar o pleito de 2030 — isso porque a Constituição do país veda a reeleição para um terceiro mandato consecutivo.

Nesse cenário, o campo progressista precisaria de um novo nome para disputar as eleições. Para a ex-deputada federal e ex-vereadora de Belo Horizonte, Áurea Carolina, a resposta para a linha de sucessão estaria dentro das próprias bases políticas. “O que me interessa é ver a emergência de lideranças populares que tenham enraizamento nas várias formas de defesa, de bem viver para as pessoas e que, de preferência, sejam mulheres periféricas, trabalhadoras, negras — até porque essa é a cara da maioria do povo brasileiro”, disse.

Sem citar nomes, a ex-deputada — que pretende disputar o Senado por Minas Gerais em 2026 — afirmou que é natural que “homens brancos” e “herdeiros de um capital político” se coloquem como possíveis alternativas. “Estou muito mais interessada em ver gente que está no dia a dia, fazendo mutirões, trabalhando em redes de solidariedade, organizações comunitárias e defendendo o acesso à saúde e à educação”, explicou à reportagem.

“A gente tem um desgaste com a polarização, o desgaste de uma parte da sociedade com essa lógica personalista. Precisamos começar a ver projetos mais coletivos e compartilhados, menos calcados no personalismo. Acho que isso é mais interessante do que saber quem é o fulano ou o ciclano que vai ocupar essa cadeira [da Presidência]”.

— disse Áurea.

Senado em 2026

Após não disputar a reeleição para a Câmara Federal em 2022 e se desfiliar do PSOL em 2023, Áurea Carolina se prepara para voltar ao jogo político.

“Não podemos cogitar a hipótese de uma regressão no governo federal. É preciso garantir a continuidade e essa retomada do Brasil democrático”, concluiu.

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Graduada em Jornalismo pela Universidade Federal de Minas Gerais, com passagem pela Rádio UFMG Educativa. Na Itatiaia, já foi produtora de programas da grade e repórter da Central de Trânsito Itatiaia Emive.