Retorno da Câmara de BH tem embate sobre intolerância religiosa e votação de veto

Os vereadores também votaram de forma definitiva um projeto de lei que prevê campanhas educativas para conscientizar idosos sobre os riscos de fraudes financeiras

A Câmara retornou com os trabalhos de forma oficial nesta segunda-feira (2).

A primeira segunda-feira (2) de fevereiro também marcou o retorno das atividades na Câmara Municipal de Belo Horizonte (CMBH) após o recesso parlamentar. Ao todo, os vereadores votaram três projetos no primeiro dia de trabalho, além de um veto do prefeito Álvaro Damião (União Brasil).

Intolerância religiosa

O início dos trabalhos na Câmara também foi marcado por embates no Legislativo. Com uma votação apertada — 24 votos favoráveis e 15 contrários —, os vereadores aprovaram, em primeiro turno, o projeto de lei que cria um programa de acolhimento a vítimas de intolerância religiosa na capital mineira.

A defesa da proposta, assinada pela vereadora Juhlia Santos (PSOL) e outros seis parlamentares, gerou discussão no plenário.

A proposição não cita uma religião específica, mas determina que o município crie medidas de proteção às vítimas e ações para garantir a segurança de espaços religiosos que tenham sido ameaçados ou depredados. A proposta também estipula que vítimas em situação de vulnerabilidade sejam incluídas em programas municipais de assistência social.

Leia também

O projeto, no entanto, foi alvo de críticas por parte de vereadores que compõem a bancada cristã da Câmara Municipal.

O vereador Irlan Melo (Republicanos) apontou supostas lacunas no texto, que não deixariam explícitas quais seriam as responsabilidades na fiscalização e no cumprimento das determinações descritas no projeto. “O PL traz muita subjetividade, não explica os termos, utiliza conceitos que não podem ser aplicados no futuro e, além disso, o principal grupo que sofre discriminação no mundo são os cristãos”, justificou.

A vereadora Flávia Borja (DC) também criticou a proposição. Ela afirmou que, embora “ninguém seja favorável à intolerância religiosa”, dentro do cristianismo há “preceitos” que podem ser interpretados por outros grupos como discurso de ódio. “Para nós, são princípios e preceitos que estão no nosso manual de vida, que é a Bíblia Sagrada. Mas nem todo mundo pensa igual e tem o direito de não pensar. No entanto, nós não podemos ser incriminados ou sofrer qualquer tipo de punição por pensar de acordo com o que rege o meu pensamento”, declarou.

O líder da bancada do PT na Câmara, vereador Pedro Patrus, defendeu a proposta e afirmou que os parlamentares estão dispostos a fazer adequações no texto para a votação em segundo turno. “Esse projeto serve para todas as religiões. A vereadora [Borja] veio aqui falar que há pontos obscuros nesse projeto. Qual é o problema desse projeto? Ele contribui de forma simples tanto para o cristianismo quanto para outras religiões na nossa cidade”, explicou.

A vereadora Juhlia também argumentou a favor da aprovação do texto, afirmando que a proposta havia sido “distorcida” pelos colegas da CMBH e questionou os motivos levados em consideração para a negativa de alguns parlamentares. “O projeto não trata de uma disputa por narrativa religiosa, e mais uma vez isso está sendo distorcido. Será que o problema não é de onde vem o projeto ou de quem vem o projeto?”, questionou.

Com a aprovação, mesmo que apertada, o projeto seguirá tramitando em segundo turno no Legislativo.

Crimes contra idosos

O primeiro projeto aprovado em segundo turno em 2026 tem como objetivo orientar idosos vítimas de práticas abusivas envolvendo golpes e outros crimes financeiros.

A proposta, de autoria do vereador Arruda (Republicanos), prevê que o município realize campanhas educativas para conscientizar idosos sobre os riscos de fraudes e as práticas que devem ser adotadas para evitar cair em golpes.

O texto agora segue para sanção ou veto do Executivo.

Código de Posturas

O PL 527/2025, assinado pelo presidente da Casa, vereador Juliano Lopes (Podemos), também recebeu sinal verde dos vereadores, em primeiro turno.

A proposta prevê uma alteração no Código de Posturas de Belo Horizonte, permitindo a instalação de publicidade com mensagens institucionais nas fachadas de prédios de órgãos públicos, fixando o limite de área em vinte metros quadrados para aquelas instaladas acima de nove metros de altura.

Manutenção do veto

O prefeito Álvaro Damião conseguiu a primeira vitória do ano na CMBH após os vereadores votarem, por unanimidade, pela manutenção do veto ao projeto de lei da vereadora Loíde Gonçalves (MDB), que instituía o Maio Verde como mês de prevenção ao glaucoma.

O líder de governo na Câmara, Bruno Miranda (PDT), explicou que o veto do Executivo se deve a “erros materiais” no texto.

Com a derrubada do projeto, segundo o líder de governo, a vereadora deverá apresentar uma nova proposta, com a mesma ideia, mas com a redação adequada.

Paredões de som

O projeto que proíbe o uso dos chamados “ paredões de som” em vias e espaços públicos do município, de autoria do vereador Irlan Melo, estava previsto para apreciação em primeiro turno nesta segunda-feira. No entanto, após negociação com a base da prefeitura, o texto foi retirado de pauta para adequações.

Graduada em Jornalismo pela Universidade Federal de Minas Gerais, com passagem pela Rádio UFMG Educativa. Na Itatiaia, já foi produtora de programas da grade e repórter da Central de Trânsito Itatiaia Emive.

Ouvindo...