Cármen Lúcia anuncia diretrizes de conduta para magistrados da Justiça Eleitoral

Presidente do TSE diz que orientações serão apresentadas a presidentes dos TREs no dia 10 de fevereiro

Cármen Lúcia, ministra do Supremo Tribunal Federal (STF).

A presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministra Cármen Lúcia, anunciou nesta segunda-feira (2) que vai apresentar um conjunto de recomendações de conduta aos magistrados dos Tribunais Regionais Eleitorais (TREs).

Segundo a ministra, as orientações serão levadas à reunião dos presidentes dos TREs, marcada para o dia 10 de fevereiro, com o objetivo de reforçar a integridade, a imparcialidade e a transparência da atuação da Justiça Eleitoral.

“Nesse momento de tantos questionamentos mundiais e nacionais, apresentarei na reunião dos presidentes dos TREs uma recomendação específica para sensibilizar a magistratura eleitoral”, afirmou.

A declaração foi feita durante a sessão extraordinária de abertura do Ano Judiciário de 2026 no TSE.

Durante o discurso, Cármen Lúcia antecipou os principais pontos que devem constar nas recomendações, entre eles:

  1. Garantia de publicidade das audiências com partes, advogados, candidatos, partidos políticos ou interessados diretos e indiretos, com divulgação prévia das agendas, dentro ou fora do ambiente institucional;
  2. Comedimento dos magistrados em manifestações públicas ou em agendas privadas sobre temas relacionados ao processo eleitoral;
  3. Evitar participação em eventos públicos ou privados que reúnam candidatos ou pessoas diretamente interessadas na campanha eleitoral, por configurar potencial conflito de interesses;
  4. Proibição de manifestações, inclusive em redes sociais, sobre preferências políticas, para preservar a imparcialidade judicial;
  5. Vedação ao recebimento de presentes ou vantagens que possam gerar dúvidas sobre a isenção das decisões;
  6. Inadmissibilidade de sinalizações favoráveis ou contrárias a candidatos, partidos ou ideologias;
  7. Impedimento de atuação de magistrados eleitorais em processos que envolvam escritórios de advocacia dos quais façam parte;
  8. Compromisso exclusivo com atividades judiciais, sem assumir funções que prejudiquem o exercício da magistratura;
  9. Divulgação pública de atos judiciais e administrativos pelas autoridades competentes, evitando interpretações equivocadas;
  10. Reforço da transparência como princípio republicano essencial para garantir o direito do eleitor à informação e a proteção da democracia.

Segundo a ministra, o objetivo é assegurar que a atuação da Justiça Eleitoral permaneça técnica, transparente e livre de qualquer dúvida sobre parcialidade durante o processo eleitoral.

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Repórter de política em Brasília, com foco na cobertura dos Três Poderes. É formado em Jornalismo pela Universidade de Brasília (UnB) e atuou por três anos na CNN Brasil, onde integrou a equipe de cobertura política na capital federal. Foi finalista do Prêmio de Jornalismo da Confederação Nacional do Transporte (CNT) em 2023.

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