App do Governo de Minas pode ser ferramenta de consulta sobre escolas cívico-militares

Lançado nesta terça, o ‘Minha Escola MG’ pretende ser ferramenta de integração entre pais e alunos com a direção das escolas a partir de ferramentas como enquetes e a disponibilização de notas e diário de frequência

Observado pelo secretário de Educação, Romeu Zema discursa durante evento de lançamento do aplicativo ‘Minha Escola MG’

Lançado nesta terça-feira (3) pelo Governo de Minas, o aplicativo “Minha Escola MG” pode ser uma ferramenta para a retomada das consultas às comunidades escolares sobre a implementação do modelo de ensino cívico-militar em instituições estaduais. A hipótese foi comentada pelo secretário de Educação Rossieli Soares durante evento de apresentação do programa para smartphones.

A ideia central do aplicativo é aproximar a comunidade de pais e alunos da direção das escolas estaduais a partir de uma plataforma que oferece acesso à frequência, a rotina de deveres de casa, as notas e os comunicados direcionados aos estudantes e responsáveis.

As ferramentas estarão disponíveis para quem baixar o programa a partir desta quarta-feira (4), data de início deste ano letivo, e, segundo o Governo de Minas, novas funções serão desenvolvidas nos próximos meses, como a abertura de enquetes para ouvir sugestões e fazer consultas à comunidade acadêmica.

Perguntado pela reportagem sobre a possibilidade de uso da plataforma para o projeto de ampliação das escolas cívico-militares, Soares assentiu com a hipótese e deu outros exemplos.

“Pode sim ser uma ferramenta. Assim como, por exemplo, nós alteramos esse ano e passamos a ter trimestralidade. Esse processo de trimestralidade foi um processo de escuta. Nós saímos de bimestre para trimestre, para dar mais tempo de intervenção pedagógica e diminuir uma avaliação [...] e isso foi feito com uma escuta enorme com todos os nossos professores e ouvindo a comunidade. Mas tem outras possibilidades. A própria secretaria poderá fazer avaliações na enquete sobre a própria alimentação escolar, que é uma coisa que a gente precisa ouvir mais o usuário, mas eu posso fazer sim sobre a Cívico Militar, eu posso fazer sobre o ‘Minas Bilíngue’. Ou seja, é um instrumento de gestão para a secretaria e de aproximação com a comunidade”, afirmou.

Relembre o imbróglio

A consulta sobre a ampliação da rede de escolas cívico-militares em Minas Gerais gerou polêmicas na comunidade acadêmica e dentro do campo político. No ano passado, o governo estadual lançou um programa de consulta para que pais, alunos e docentes opinassem sobre a adoção deste modelo de ensino na instituição em que frequentam.

As consultas para expansão do modelo geraram polêmica na comunidade escolar e no meio político. Em julho, o Estadual Central, tradicional colégio no Centro de Belo Horizonte, rejeitou a possibilidade de adesão ao modelo cívico-militar com 84% de votos contrários de pais, alunos e professores.

Na Assembleia Legislativa (ALMG), a oposição ao governador Romeu Zema (Novo) protestou contra a ideia das consultas e da expansão do modelo. A ação dos deputados suplantou os limites do parlamento e motivou o acionamento do Tribunal de Contas do Estado (TCE-MG) no caso.

Em agosto, por decisão monocrática do conselheiro Adonias Monteiro, o TCE suspendeu os processos de expansão das escolas cívico-militares após ação movida pela deputada estadual Beatriz Cerqueira (PT). Em dezembro, o pleno do tribunal manteve o entendimento inicial e determinou a interrupção do modelo nas nove unidades que já adotavam a militarização do ensino.

Adonias Monteiro, conselheiro relator do projeto, afirmou que não há uma lei que respalde a implementação do programa com a devida previsão orçamentária. O tribunal também contestou a convocação de militares da reserva para atuar no cago de supervisores e monitores nas escolas.

Em janeiro deste ano, o Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG) autorizou a retomada do funcionamento das nove escolas com ensino cívico-militar no estado e do programa de expansão do modelo. A decisão foi comemorada por Zema, que aventou a volta do programa de consulta às comunidades escolares sobre a adoção do modelo militarizado de ensino. .

As nove escolas em que o modelo é aplicado são: E.E. Assis Chateaubriand e E. E. Princesa Isabel, ambas localizadas em Belo Horizonte; E. E. Padre José Maria de Man e E.E. Professora Lígia Maria Magalhães, ambas em Contagem; e as E.E. dos Palmares, em Ibirité; E.E. Wenceslau Braz, em Itajubá; E.E. Cônego Osvaldo Lustosa, em São João de Rei; E.E. Olímpia de Brito, em Três Corações; e E.E. Governador Bias Fortes, em Santos Dumont.

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Repórter de política da Itatiaia, é jornalista formado pela UFMG com graduação também em Relações Públicas. Foi repórter de cidades no Hoje em Dia. No jornal Estado de Minas, trabalhou na editoria de Política com contribuições para a coluna do caderno e para o suplemento de literatura.

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