STM vai analisar perda de patente de Bolsonaro e generais condenados por golpe

Decisão pode afetar status e remuneração dos militares já condenados; constituição prevê perda de patente para oficiais condenados a mais de dois anos de prisão

Ex-presidente, que é capitão reformado do exército, pode perder a patente caso seja condenado

O Superior Tribunal Militar deve começar a analisar, ainda nesta semana, os processos que podem levar à perda de postos e patentes do ex-presidente Jair Bolsonaro e de outros militares condenados por participação na tentativa de golpe de Estado em 2022.

Os pedidos serão apresentados pelo Ministério Público Militar. Na Justiça Militar, o será restrito a verificar se as condenações penais tornam os réus incompatíveis com a permanência na carreira militar, sem entrar no mérito do que já foi julgado no STF.

Se a perda do posto e da patente for confirmada, os militares podem ficar sem o salário que recebem das forças. No caso do ex-presidente Bolsonaro, o salário é de R$ 9,5 mil como capitão reformado do Exército

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O procedimento está previsto na Constituição e trata da chamada declaração de indignidade para o oficialato, aplicada a militares condenados a penas superiores a dois anos de prisão, o que não é o caso do tenente-coronel Mauro Cid, ex-ajudante de ordens de Bolsonaro, e que foi beneficiado pelo Tribunal por ter firmado um acordo de delação premiada.

Os militares condenados pelo STF no ano passado são:

  • Jair Bolsonaro, capitão da reserva do Exército;
  • Augusto Heleno, general do Exército;
  • Paulo Sérgio Nogueira, general do Exército;
  • Walter Braga Netto, general do Exército;
  • Almir Garnier, ex-comandante da Marinha.

Como funciona o processo

Com as condenações já em execução, o Ministério Público Militar apresenta ao STM a chamada Representação para Declaração de Indignidade com o Oficialato.

O tribunal então sorteia um ministro relator e um revisor - se um for civil, o outro será militar, e vice-versa. O relator abre prazo de dez dias para a defesa escrita dos militares. Caso não haja manifestação, um defensor público é nomeado.

Depois de passar pelo revisor, o processo é incluído na pauta de julgamento do plenário do STM, composto por 15 ministros - dez militares e cinco civis. Em regra, o presidente do tribunal não vota. Em caso de empate, prevalece a decisão mais favorável ao réu, no caso, os militares condenados por golpe.

Supervisor da Rádio Itatiaia em Brasília, atua na cobertura política dos Três Poderes. Mineiro formado pela PUC Minas, já teve passagens como repórter e apresentador por Rádio BandNews FM, Jornal Metro e O Tempo. Vencedor dos prêmios CDL de Jornalismo em 2021 e Amagis 2022 na categoria rádio

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