Justiça de Minas derruba medida do TCE e autoriza retomada de escolas cívico-militares

Decisão entendeu que o Tribunal de Contas do Estado excedeu as prerrogativas do órgão ao suspender o modelo vigente em nove escolas e em processo de expansão

Alunos de escola cívico-militar em Minas Gerais

O Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG) autorizou a retomada do funcionamento das nove escolas com ensino cívico-militar no estado e do programa de expansão do modelo. Em decisão proferida na última terça-feira (20), a juíza Janete Gomes Moreira, da 4ª Vara da Fazenda Pública e Autarquias da Comarca de Belo Horizonte, derrubou a eficácia de uma determinação expedida em dezembro pelo Tribunal de Contas do Estado (TCE-MG) que suspendeu o formato nas escolas mineiras.

Na decisão, a magistrada entendeu que a prerrogativa de decisão sobre modelos de gestão educacional é do Executivo e, portanto, o projeto de adoção do ensino cívico-militar tem “aparente compatibilidade com o ordenamento jurídico vigente”. A medida foi tomada após recurso apresentado à Justiça pelo Governo de Minas contra a decisão do TCE.

A decisão também aborda os limites da atuação do TCE e afirma que o tribunal deve intervir apenas se provada uma lesão concreta ao erário público. Segundo a juíza, o órgão deve se restringir a “ilegalidades em matéria financeira, orçamentária, contábil ou patrimonial”.

Por fim, a juíza aponta a chance de risco à trajetória escolar de 6.083 alunos já matriculados nas nove escolas existentes e desestruturaria todo o planejamento para o ano letivo de 2026.

As nove escolas em que o modelo é aplicado são: E.E. Assis Chateaubriand e E. E. Princesa Isabel, ambas localizadas em Belo Horizonte; E. E. Padre José Maria de Man e E.E. Professora Lígia Maria Magalhães, ambas em Contagem; e as E.E. dos Palmares, em Ibirité; E.E. Wenceslau Braz, em Itajubá; E.E. Cônego Osvaldo Lustosa, em São João de Rei; E.E. Olímpia de Brito, em Três Corações; e E.E. Governador Bias Fortes, em Santos Dumont.

Entenda o imbróglio

Em agosto, por decisão monocrática do conselheiro Adonias Monteiro, o TCE suspendeu os processos de expansão das escolas cívico-militares após ação movida pela deputada estadual Beatriz Cerqueira (PT). Em dezembro, o pleno do tribunal manteve o entendimento inicial e determinou a interrupção do modelo nas nove unidades que já adotavam a militarização do ensino.

Adonias Monteiro, conselheiro relator do projeto, afirmou que não há uma lei que respalde a implementação do programa com a devida previsão orçamentária. O tribunal também contestou a convocação de militares da reserva para atuar no cago de supervisores e monitores nas escolas.

As consultas à comunidade escolar para expansão do modelo geraram polêmica na comunidade escolar e no meio político. Em julho, o Estadual Central, tradicional colégio no Centro de Belo Horizonte, rejeitou a possibilidade de adesão ao modelo cívico-militar com 84% de votos contrários de pais, alunos e professores.

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Repórter de política da Itatiaia, é jornalista formado pela UFMG com graduação também em Relações Públicas. Foi repórter de cidades no Hoje em Dia. No jornal Estado de Minas, trabalhou na editoria de Política com contribuições para a coluna do caderno e para o suplemento de literatura.

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