Ministro do TSE pede vista e julgamento que pode cassar governador do Rio é suspenso

Placar está em 2 a 0 pela cassação do governador do Rio e pela inelegibilidade por oito anos

Cláudio Castro (PL), governador do Rio de Janeiro.

O ministro Nunes Marques, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), pediu vista — ou seja, mais tempo para análise — e suspendeu o julgamento que pode levar à cassação do mandato do governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro (PL).

Os processos também envolvem o deputado estadual Rodrigo Bacellar (União Brasil), presidente afastado da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj). As ações apontam suposto abuso de poder político e econômico nas eleições de 2022.

Segundo as investigações, Castro e Bacellar teriam criado cerca de 27 mil cargos considerados fantasmas para empregar cabos eleitorais, o que teria contribuído para a reeleição do governador.

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Em novembro do ano passado, a relatora do caso, ministra Maria Isabel Galotti, votou pela cassação de Castro. Na ocasião, a análise foi suspensa após pedido de vista do ministro Antônio Carlos Ferreira.

Na sessão desta terça-feira, Ferreira acompanhou o voto da relatora e também se posicionou pela cassação de Castro e de Bacellar. Após esse voto, Nunes Marques pediu vista e interrompeu novamente o julgamento.

Com isso, o placar no TSE é de 2 votos a 0 pela cassação do governador e pela declaração de inelegibilidade por oito anos.

Entenda o caso

A ação chegou ao TSE por meio de recurso apresentado pelo Ministério Público Eleitoral (MPE) contra decisão do Tribunal Regional Eleitoral do Rio de Janeiro (TRE-RJ), que havia entendido não haver provas suficientes para comprovar o envolvimento do governador e de aliados no suposto esquema.

No TSE, o MPE pede a cassação dos mandatos, aplicação de multa e a inelegibilidade até 2030 de Castro e do deputado Rodrigo Bacellar, apontado como um dos envolvidos no caso que também menciona o ex-deputado estadual TH Joias.

A acusação aponta irregularidades na contratação de mais de 27 mil funcionários pela Fundação Ceperj e pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj). Segundo o Ministério Público, os contratados teriam atuado como cabos eleitorais em favor de Castro e aliados durante as eleições de 2022.

Para o MPE, o elevado número de contratações temporárias teria finalidade eleitoral, com apoiadores políticos selecionados para promover candidaturas enquanto atuavam formalmente como servidores temporários.

Repórter de política em Brasília, com foco na cobertura dos Três Poderes. É formado em Jornalismo pela Universidade de Brasília (UnB) e atuou por três anos na CNN Brasil, onde integrou a equipe de cobertura política na capital federal. Foi finalista do Prêmio de Jornalismo da Confederação Nacional do Transporte (CNT) em 2023.

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