Zema se diz ‘extremamente satisfeito’ com retomada de escolas cívico-militares

Governador comentou sobre decisão da Justiça que derrubou uma suspensão determinada no ano passado pelo Tribunal de Contas do Estado (TCE-MG)

Zema criticou veementemente a posição do TCE sobre as escolas cívico-militares

Em entrevista nesta quarta-feira (21), o governador Romeu Zema (Novo) comemorou a decisão do Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG) pela retomada do funcionamento das nove escolas do estado que funcionam no modelo cívico-militar e a expansão do formato. A medida publicada na última terça (20) derrubou uma determinação do Tribunal de Contas do Estado (TCE-MG) que suspendeu o programa do Executivo Estadual.

Em um evento sobre parcerias público-privadas (PPPs) para reformas em escolas, Zema falou sobre a decisão e reiterou sua defesa de que o intuito do governo não é impor o modelo cívico-militar às escolas estaduais, mas perguntar à comunidade se há um interesse pela reformulação.

“Eu fiquei extremamente satisfeito com esta essa notícia. O que nós queremos é fazer audiência pública. Não estamos falando nem de implantar escola cívico-militar. Queremos escutar os pais, os alunos, a comunidade escolar sobre essas questões. E alguém proibir escuta, proibir audiência pública, para mim é o maior absurdo possível, um autoritarismo sem tamanho. Acho que é medo da população querer, desejar, que é o que nós sabemos, e esse modelo avançar. Isso deve estar incomodando muita gente: uma escola que ensina disciplina, uma escola que ensina valores e, vale lembrar, é optativa. Essas escolas só serão colocadas em cidades onde o estado tem várias unidades e a família vai ter a oportunidade de escolher a escola tradicional ou a cívico militar”, afirmou o governador mineiro.

Na sequência, Zema criticou o TCE e disse que o tribunal não tem competência para tomar decisões relativas à educação.

Em agosto, por decisão monocrática do conselheiro Adonias Monteiro, o TCE suspendeu os processos de expansão das escolas cívico-militares após ação movida pela deputada estadual Beatriz Cerqueira (PT). Em dezembro, o pleno do tribunal manteve o entendimento inicial e determinou a interrupção do modelo nas nove unidades que já adotavam a militarização do ensino.

Adonias Monteiro, conselheiro relator do projeto, afirmou que não há uma lei que respalde a implementação do programa com a devida previsão orçamentária. O tribunal também contestou a convocação de militares da reserva para atuar no cago de supervisores e monitores nas escolas.

As consultas para expansão do modelo geraram polêmica na comunidade escolar e no meio político. Em julho, o Estadual Central, tradicional colégio no Centro de Belo Horizonte, rejeitou a possibilidade de adesão ao modelo cívico-militar com 84% de votos contrários de pais, alunos e professores.

Também no evento na manhã desta quarta, o secretário estadual de Educação, Rossieli Soares da Silva, falou sobre a retomada do ensino cívico-militar nas escolas em que o formato já funcionava, garantiu que não haverá alterações nas datas de volta às aulas e anunciou que Minas trabalha na retomada no processo de consulta e expansão do modelo..

“As aulas começam no dia 4 de fevereiro, está mantido. A gente agora voltou a conversar, obviamente, com o corpo de bombeiros que são parceiros importantíssimos nessas nove escolas e tenho certeza que é uma prioridade para a gente, para eles, para o governo do estado, especialmente para as famílias que têm se manifestado nesse sentido. Nós queremos voltar a discutir sim a possibilidade, como bem disse o governador, em escutar as comunidades e para aquelas comunidades que desejarem este modelo ou outro, que a gente possa estar dando a opção”, afirmou.

As nove escolas em que o modelo é aplicado são: E.E. Assis Chateaubriand e E. E. Princesa Isabel, ambas localizadas em Belo Horizonte; E. E. Padre José Maria de Man e E.E. Professora Lígia Maria Magalhães, ambas em Contagem; e as E.E. dos Palmares, em Ibirité; E.E. Wenceslau Braz, em Itajubá; E.E. Cônego Osvaldo Lustosa, em São João de Rei; E.E. Olímpia de Brito, em Três Corações; e E.E. Governador Bias Fortes, em Santos Dumont.

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Repórter de política da Itatiaia, é jornalista formado pela UFMG com graduação também em Relações Públicas. Foi repórter de cidades no Hoje em Dia. No jornal Estado de Minas, trabalhou na editoria de Política com contribuições para a coluna do caderno e para o suplemento de literatura.
Jornalista graduado pela PUC Minas; atua como apresentador, repórter e produtor na Rádio Itatiaia em Belo Horizonte desde 2019; repórter setorista da Câmara Municipal de Belo Horizonte.

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