Sem federação com PT, PSOL recalcula estratégia eleitoral em Minas

Pensando no cenário eleitoral, fontes acreditam que o PSOL, em Minas, precisará tomar decisões estratégicas para garantir a eleição de parlamentares para a bancada

Atualmente, o PSOL tem apenas duas representantes no Legislativo por Minas.

A decisão do Diretório Nacional do PSOL de não ingressar na federação formada por PT, PCdoB e PV, no último sábado (7), repercutiu com desânimo dentro do partido em Minas Gerais.

A maior parte das lideranças da sigla, ouvidas pela coluna, defendia a corrente Revolução Solidária, liderada pelo ministro Guilherme Boulos, que acreditava na federação.

A decisão do PSOL não impede que uma aliança entre os partidos seja feita no futuro, mas o entendimento foi de que, para 2026, o momento é “inoportuno”.

Pensando no cenário eleitoral, fontes ouvidas pela Itatiaia acreditam que o PSOL, em Minas, precisará tomar decisões estratégicas para garantir a eleição de parlamentares para a bancada.

Atualmente, o PSOL tem apenas duas representantes no Legislativo por Minas — a deputada estadual Bella Gonçalves, na Assembleia Legislativa (ALMG), e a deputada federal Célia Xakriabá, na Câmara dos Deputados.

As duas, no entanto, possuem opiniões divergentes. Nas redes sociais, Bella lamentou a decisão do diretório nacional e afirmou que apoiar a reeleição do presidente Lula (PT) é “o mínimo”. “Agora é hora de pensarmos nas estratégias para garantir o aumento da bancada progressista e combater o Congresso inimigo do povo”, escreveu.

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O posicionamento diverge do da deputada federal Célia Xakriabá, que é contrária à federação neste momento. Em conversa com a Itatiaia, ela afirmou que a decisão do partido garante a independência do PSOL no Congresso Nacional, em especial em pautas identitárias, como meio ambiente e a luta dos povos originários.

Internamente, dentro do PT em Minas, a avaliação é que a decisão enfraquece o PSOL no cenário eleitoral. Interlocutores ouvidos pela reportagem afirmam, no entanto, que um posicionamento ou crítica não deve partir da sigla de Lula, em respeito à autonomia partidária.

Em nota, a presidente do PT-MG, deputada estadual Leninha, disse que vê com “absoluta normalidade” o movimento que, segundo ela, faz parte da “dinâmica democrática dos partidos”.

No comunicado enviado à Itatiaia, ela afirmou que o principal é que, apesar das diferenças, as legendas sigam com o compromisso de apoiar a reeleição de Lula no Planalto. “Então, para nós, o fundamental é isso: estaremos juntos no palanque do presidente Lula, dialogando com as forças progressistas e trabalhando para fortalecer esse campo político no país”, escreveu.

Em Minas, o partido tenta guinar candidaturas. A deputada estadual Bella Gonçalves é cotada para disputar uma cadeira na Câmara dos Deputados, enquanto Iza Lourença, vereadora de Belo Horizonte, deve tentar uma posição para o PSOL na ALMG.

No Senado, a sigla oficializou o nome da ex-deputada Áurea Carolina para pleitear uma das duas cadeiras pelo estado na próxima eleição.

O PSOL ainda pode contar com os votos da deputada federal Duda Salabert (PDT-MG), formalmente convidada pela legenda, para disputar a reeleição na Câmara.

A coluna Poder em Minas é um espaço para a publicação de informações de bastidores, análises e apurações exclusivas dos repórteres de política da Itatiaia. A partir dos textos no portal e vídeos nas redes sociais, a equipe da redação mantém os ouvintes, espectadores e leitores bem informados sobre as movimentações que arquitetam o cenário das eleições de 2026.
Graduada em Jornalismo pela Universidade Federal de Minas Gerais, com passagem pela Rádio UFMG Educativa. Na Itatiaia, já foi produtora de programas da grade e repórter da Central de Trânsito Itatiaia Emive.

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