Direito de resposta vira meio para debates ideológicos na Câmara de BH

Aplicação do artigo 94 do regimento interno permite longos debates, mesmo que os temas não tenham relação com a vida na cidade

Vereadores de BH durante a reunião de plenário nesta sexta-feira (6)

“Presidente, artigo 94, por favor”. Tal frase antecede dezenas de declarações no plenário da Câmara Municipal de Belo Horizonte e faz referência ao trecho do regimento interno que garante direito de manifestação para parlamentares citados em discursos proferidos no parlatório da Casa. Uma mudança no entendimento sobre a abrangência da regra tem permitido longos bate-bocas entre os vereadores em que o tema raramente é a capital mineira.

Nesta sexta-feira (6), foi a vez do assunto nacional do momento, a segunda prisão do banqueiro Daniel Vorcaro, virar tema de discussão dos vereadores de BH. Por cerca de uma hora nomes da esquerda e da direita usaram seu tempo de fala no plenário para empurrar o escândalo de um lado para o outro. Boa parte das falas foi autorizada pela mesa diretora da Casa a partir da solicitação de uso do artigo 94 pelos parlamentares.

O debate nacional tem sido constante nesta legislatura da Câmara de BH — fenômeno percebido em todo o país — durante as discussões de plenário. Até 2022, o artigo 94 do regimento interno da Casa tinha a seguinte determinação:

Em dezembro de 2022, uma resolução alterou o texto para sua versão atual, em que não há a determinação expressa sobre direito de resposta a críticas feitas no plenário. Ficou mais vago, portanto, se um parlamentar tem ou não a prerrogativa de usar a palavra.

“Todo vereador que sentir qualquer tipo de ofensa pode pedir o artigo 94. Desde o passado, quando o presidente que deferia se teria ou não o 94, a Câmara Municipal mudou o regimento. Então, se alguém aqui se sentir ofendido por qualquer palavra, achar que a árvore não é verde e é preta, que é azul, branca ou amarela e sentir que está ofendido, ele tem direito. Ou seja, todos os 41 vereadores têm direito de pedir artigo 94 quando bem quiserem”, disse o presidente da Câmara, Juliano Lopes (Podemos) durante a acalorada discussão desta sexta-feira.

A mudança foi feita na Legislatura anterior, como destacou Lopes, mas tem efeitos nos debates atuais, estendidos além da pauta da Câmara de BH.

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Repórter de política da Itatiaia, é jornalista formado pela UFMG com graduação também em Relações Públicas. Foi repórter de cidades no Hoje em Dia. No jornal Estado de Minas, trabalhou na editoria de Política com contribuições para a coluna do caderno e para o suplemento de literatura.
A coluna Poder em Minas é um espaço para a publicação de informações de bastidores, análises e apurações exclusivas dos repórteres de política da Itatiaia. A partir dos textos no portal e vídeos nas redes sociais, a equipe da redação mantém os ouvintes, espectadores e leitores bem informados sobre as movimentações que arquitetam o cenário das eleições de 2026.

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