PF diz que não ‘compete’ à instituição editar ou manipular conversas do caso Master

A equipe responsável pelas investigações encaminhou ao STF uma representação para a abertura de apuração sobre a divulgação indevida de informações sigilosas

A defesa de Vorcaro alega que o material foi vazado após ser entregue à CPMI do INSS , conforme determinação do próprio Mendonça.

A Polícia Federal (PF) disse, em nota divulgada nesta sexta-feira (6), que as investigações seguem “rigorosos padrões de segurança” no que se refere ao direito à privacidade e à intimidade. A instituição responde diretamente a um pedido feito pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), que determinou uma investigação paralela para apurar o vazamento de dados de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master.

Ainda no comunicado divulgado, a PF afirma que não compete à instituição “editar conversas, selecionar ou manipular dados extraídos de equipamentos apreendidos, sob pena, inclusive, de violação ao direito ao contraditório e à ampla defesa”.

A Polícia afirma que os materiais apreendidos na Operação Compliance Zero, que resultou na prisão de Vorcaro em São Paulo, na quarta-feira (4), estão sob responsabilidade da instituição desde novembro do ano passado e da Procuradoria-Geral da República (PGR) desde janeiro deste ano.

A PF reforça que, por decisão do ministro Dias Toffoli, que era, até então, relator do caso, a defesa dos investigados, incluindo Vorcaro, passou a ter acesso à integralidade das informações.

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Mendonça, que assumiu o caso após Toffoli deixar a relatoria, acatou um pedido da defesa de Vorcaro para a abertura de um inquérito a fim de apurar a “origem dos sucessivos vazamentos de informações sigilosas provenientes dos telefones apreendidos”.

Os advogados do banqueiro preso alegam que o material foi vazado após ser entregue à Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS do Congresso Nacional, conforme determinação do próprio Mendonça.

Os documentos foram obtidos pela comissão após quebra de sigilo feita pela própria CPMI, mas foram, inicialmente, restringidos por decisão de Toffoli. Depois de assumir o caso, Mendonça autorizou que o material fosse novamente entregue aos parlamentares.

Toffoli, em nota, negou que, enquanto esteve na relatoria das investigações sobre o Banco Master, tenha tido acesso às informações encontradas no celular do banqueiro. Ele afirma apenas que autorizou a análise dos celulares, computadores e HDs apreendidos, mas que nada foi encaminhado ao Supremo.

Na decisão, Mendonça enfatizou que a PF deve identificar aqueles que “teriam o dever de custodiar o material sigiloso e o violaram”. Ele, no entanto, destacou que a investigação protege jornalistas e veículos de imprensa que tiveram acesso ao conteúdo das mensagens de Vorcaro. “Não aqueles que, no legítimo exercício da fundamental profissão jornalística, obtiveram acesso indireto às informações que, pela sua natureza íntima, não deveriam ter sido publicizadas”, diz trecho.

Ainda em nota, a PF afirma que nenhum relatório, informação de polícia judiciária ou representação apresentada pela instituição, no âmbito da operação, “conteve dados que não fossem relevantes para a instrução das investigações”. A instituição acrescenta que não incluiu, nos documentos oficiais, material relacionado à intimidade ou à vida privada dos investigados.

A Polícia Federal encaminhou a Mendonça uma representação para a abertura de apuração sobre a divulgação indevida de informações sigilosas.

Graduada em Jornalismo pela Universidade Federal de Minas Gerais, com passagem pela Rádio UFMG Educativa. Na Itatiaia, já foi produtora de programas da grade e repórter da Central de Trânsito Itatiaia Emive.

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