‘Esbanjador’ e ‘outsider’ no mercado financeiro: saiba quem é Daniel Vorcaro, preso pela PF

Construído como um “outsider” no mercado financeiro, Vorcaro se estabeleceu na Faria Lima com perfil de demonstrações de alto poder econômico

O banqueiro Daniel Voracaro foi preso novamente pela Polícia Federal nesta quarta-feira (4)

Preso pela Polícia Federal na manhã desta terça-feira (18) por determinação do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça, o banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, é acusado de fraudes bilionárias e chegou a ser preso preventivamente no último 17 de novembro, no Aeroporto de Guarulhos, quando tentava embarcar para Dubai. Contudo, o empresário foi solto no dia 29 de novembro do ano passado.

Construído como um “outsider” no mercado financeiro, Vorcaro se estabeleceu na Faria Lima com perfil de demonstrações de alto poder econômico, contrastando com a imagem mais discreta adotada por banqueiros ditos “tradicionais”. Dentre os eventos que demonstram a postura do banqueiro, está a festa de 15 anos de sua filha, que ganhou ampla repercussão nas redes sociais, com custo de R$ 15 milhões e show do Dj Alok.

A mesma extravagância se repetia em investimentos, especialmente no setor imobiliário. Cotista do fundo proprietário do Hotel Fasano Itaim, em São Paulo, Vorcaro esteve envolvido em uma das maiores transações residenciais já registradas no Brasil, quando comprou uma mansão em Trancoso, no Sul da Bahia, por R$ 280 milhões.

O perfil “ostentador” passou a ser alvo de apuração da Polícia Federal, que investiga se parte do capital do banqueiro tem ligação com o crime organizado, incluindo o Primeiro Comando da Capital (PCC).

Mineira, a família de Vorcaro tem forte ligação no setor de construção, apesar de o banqueiro sempre ter negado que ele faça parte da elite do estado. A estreia de Vorcaro no setor bancário ocorreu apenas em 2016, quando o Banco Máxima, de Saul Sabbá, foi oferecido a ele. No ano seguinte, ele assumiu o controle da instituição.

A prisão do banqueiro ganha contornos mais fortes devido ao anúncio, feito no dia anterior, sobre o interesse do grupo Fictor em adquirir o Banco Master. A empresa via na possível aquisição uma oportunidade de entrada no setor bancário brasileiro, com planos de estabelecer o Banco Fictor utilizando a estrutura já existente do Master.

O interesse pelo Banco Master não é recente. Anteriormente, o Banco de Brasília (BRB) havia demonstrado interesse na aquisição, vendo na carteira mais arriscada do Master um complemento para seus ativos mais tradicionais. O BTG Pactual também havia manifestado interesse em adquirir os ativos de menor risco da instituição.

A liquidação extrajudicial decretada pelo Banco Central pode ter sido motivada por insolvência ou por descumprimento grave das regras do sistema financeiro brasileiro. Com esta decisão, a possível aquisição pelo grupo Fictor fica suspensa, assim como quaisquer outras negociações de compra da instituição.

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