Um mês após ataque a padaria, sobrevivente fala pela 1ª vez: ‘Implorei para ele não atirar’

Sobrevivente estava no local e implorou para não ser morta pelo atirador

Da esquerda para a direita, Ione, Nathielly, Yone e Emanuely.

Há exatamente um mês, um tiroteio em uma padaria no bairro Lagoa, em Ribeirão das Neves, na Grande BH, deixava três mulheres mortas. Nathielly Kamilly Fernandes Faria, de 16 anos, Emanuely Geovanna Rodrigues Seabra, de 14 anos, e Ione Ferreira Costa, de 56 anos, foram vítimas do crime brutal. Nathielly e Ione morreram no dia do crime, enquanto Emanuely faleceu no hospital no dia seguinte.

Uma quarta vítima, identificada como Ana Julia, de 19 anos, também estava na padaria no momento do crime e implorou para não ser morta. A jovem era irmã de Emanuely e filha do proprietário da padaria. Ela falou pela primeira vez sobre o ocorrido, em entrevista à Itatiaia.

“Eu implorei para que ele não atirasse em mim. Ele saiu e fez uma careta. Foi uma cena que nunca vou esquecer, foi muito rápido”, relatou.

Ana Julia contou que faltava uma hora para fechar o estabelecimento e que ela organizava a padaria para o fechamento. Segundo ela, o suspeito, Magno Ribeiro da Silva, de 30 anos, era cliente da padaria há quatro anos. Logo que foi preso, ele confessou o crime.

“Tem quatro anos que a gente está lá, tem quatro anos que ele frequentava lá. Era um cliente normal, que ia todos os dias pela manhã e à tarde. Por que ele fez isso? Até agora nós estamos sem entender, porque não tem motivo”, contou Ana Julia.

A jovem relatou que Magno sempre tratou as funcionárias normalmente.

Adolescente apreendido

Um adolescente de 17 anos, ex-namorado de Natielly, foi preso um dia após o crime suspeito de cometê-lo. A família dele afirmava que ele era inocente e ele foi liberado dias depois.

Ana Julia contou que, no dia do crime, Natielly havia mostrado vários vídeos dos dois em uma rede social. Após o crime, ela não reconheceu o adolescente como o autor.

“Em nenhum momento eu falei que seria ele, porque ele é branco e a mão que eu vi era morena. Todo mundo falou assim: ‘Ah, pode ser a tatuagem.’ Eu falei: ‘Não, a mão era morena e eu vi a arma’. A Nat iria me falar se tivesse acontecido alguma coisa, porque naquele dia ela mesma registrou vários vídeos dos dois, eles estavam felizes. Ela falava: ‘Nossa, eu gostava dele’ e tudo mais”, relatou.

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Vida pós-crime

Ana Julia contou que, desde que o crime aconteceu, não consegue pensar em outra coisa.

“A cena vem na minha cabeça toda hora que eu fecho o olho, quando eu vou dormir, tem vezes que eu fico a madrugada toda acordada, pensando na Manu, na Nat. Eu vou ter que tratar com o psicólogo, porque está tudo difícil”, disse.

“Na minha cabeça, eu espero que isso seja um pesadelo”, completou.

Padaria fechada

Desde o crime, a padaria está fechada. O pai de Emanuely e Ana Julia, Gleidson Seabra, afirmou que sente a falta da filha todos os dias e que não teve forças para reabrir o estabelecimento.

De acordo com informações iniciais, um homem chegou até o estabelecimento de moto, abriu fogo e foi embora

“Parece que foi ontem [que ocorreu o crime]. As noites para nós têm sido horríveis, porque a saudade aumenta. A gente vai ter que fazer um tratamento psicológico para tentar encarar a vida de novo, buscar um sentido para a vida”, contou.

“A fonte de renda da nossa casa era a padaria, sabe? Fechei a padaria, não tive forças para voltar a trabalhar lá. A gente anunciou, estou vendendo ela pela metade do preço para poder tentar honrar meus compromissos também. Não consigo trabalhar lá mais, ela está fechada, mas estamos vendendo o ponto. Pedi a Deus que dê tudo certo para a gente começar de novo em outro lugar”, finalizou.

Sem motivos aparentes

O suspeito Magno Ribeiro da Silva confessou o crime e está preso desde o dia 11 de fevereiro. Ele estava na casa onde morava, no bairro Céu Azul, região de Venda Nova, em Belo Horizonte.

Magno Ribeiro da Silva, de 30 anos, foi preso e confessou o crime

Até o momento, a PC aponta que ele cometeu o crime sem motivos aparentes. Um dia depois de matar três mulheres, ele tentou matar o dono de uma oficina e o filho dele.

Amanda Antunes cursou jornalismo no Unileste (Centro Universitário Católica do Leste de Minas Gerais), com graduação concluída na Faculdade Estácio, em Belo Horizonte. Em 2009, começou a estagiar na Rádio Itatiaia do Vale do Aço, fazendo a cobertura de cidades. Em 2012, chegou à Itatiaia Belo Horizonte. Na rádio de Minas, faz parte do time de cobertura policial - sua grande paixão - e integra a equipe do programa ‘Observatório Feminino’.
Formada pela PUC Minas, Maria Fernanda Ramos é repórter das editorias Minas Gerais, Brasil e Mundo na Itatiaia. Antes, passou pelo portal R7, da Record.

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