Ataque a padaria: suspeito foi trabalhar após matar três, diz testemunha

Segundo a testemunha, Magno Ribeiro era um rapaz muito calado e sistemático

Suspeito de matar mulheres em padaria foi preso

Um ex-colega de trabalho de Magno Ribeiro da Silva, de 30 anos, suspeito de matar três mulheres em uma padaria em Ribeirão das Neves, na Grande BH, contou que o rapaz foi trabalhar normalmente, na quinta-feira (5), um dia após cometer o crime e era uma pessoa muito calada.

Magno foi preso na noite de terça-feira (10) suspeito de cometer o triplo homicídio em Neves e, no dia seguinte, tentar matar o dono de uma oficina e o filho dele na mesma região. Ele confessou os dois crimes.

Conforme uma testemunha, Magno era um rapaz muito calado e sistemático. “Não falava nada com ninguém, ficava sempre isolado, jogando muito jogo de tiro. Jogava o dia inteiro”, relatou.

No dia seguinte ao assassinato de Nathielly Kamilly, Ione Ferreira e Emanuely Geovanna, e horas após a tentativa de assassinato contra o dono da oficina, Magno foi trabalhar novamente. Todos os funcionários do local onde ele trabalhava estavam chocados com o crime, enquanto ele não comentou nada.

“A gente estava com medo, né? Porque falou que tinha um homem doido dando tiros nos comércios à toa”, relatou a testemunha.

O ex-colega de trabalho também relatou que o rapaz trabalhava pouco porque tinha outros serviços, como de segurança. Magno era aconselhado pelo ex-colega a fazer a própria clientela.

“Eu falei para ele interagir com as pessoas, conversar, ter amizades, para ter mais clientes, só que ele nunca teve essa vontade de interagir com ninguém”, afirmou.

Preconceito contra homossexuais

A testemunha contou que Magno tinha preconceito contra homossexuais que frequentavam o local.

“Toda vez que chegava homossexuais, mulher ou homem, ele não cortava, virava as costas e ia para a padaria, ele não gostava não”, relatou.

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Relembre o caso

O triplo homicídio na padaria em Ribeirão das Neves ocorreu na noite do dia 4 de fevereiro em um estabelecimento localizado na Rua Josué Martins de Souza, no bairro Lagoa.

Nathielly Kamilly Fernandes Faria, de 16 anos, e Ione Ferreira Costa, de 56, morreram no local. Emanuely Geovanna Rodrigues Seabra, de 14 anos, foi socorrida com vida e morreu no hospital. Nathielly Kamilly era funcionária da padaria e estava no caixa no momento do crime. Emanuely Geovanna era filha do dono e trabalhava como atendente. Ione era empregada em um sacolão ao lado do estabelecimento e fazia compras.

Da esquerda para a direita, Ione, Nathielly, Yone e Emanuely.

Adolescente apreendido

Um adolescente, de 17 anos, foi apreendido e autuado em flagrante sob a suspeita de ato infracional análogo ao crime de homicídio qualificado. Ele é ex-namorado de Nathielly Kamilly.

Em entrevista à Itatiaia, a mãe do adolescente garantiu que o filho não tem envolvimento com o triplo homicídio e disse ter provas de que ele estava em casa no momento do ataque.

Após a prisão e confissão de Magno Ribeiro da Silva, o advogado do adolescente classificou a apreensão como o “maior erro judiciário de Minas Gerais”.

Nesta quinta-feira (12), a Justiça determinou a liberdade do adolescente e anunciou que ele será incluído no Programa de Proteção a Vítimas e Testemunhas Ameaçadas.

Jornalista formado em Comunicação Social pelo Centro Universitário de Belo Horizonte (UNI-BH). Na Itatiaia desde 2008, é “cria” da rádio, onde começou como estagiário. É especialista na cobertura de jornalismo policial e também assuntos factuais. Também participou de coberturas especiais em BH, Minas Gerais e outros estados. Além de repórter, é também apresentador do programa Itatiaia Patrulha na ausência do titular e amigo, Renato Rios Neto.
Formada pela PUC Minas, Maria Fernanda Ramos é repórter das editorias Minas Gerais, Brasil e Mundo na Itatiaia. Antes, passou pelo portal R7, da Record.

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