Policiais são absolvidos por morte de adolescente na Cidade de Deus

O julgamento começou na manhã dessa terça-feira (10) e terminou no fim da noite de quarta-feira (11)

Thiago Menezes Flausino, de 13 anos de idade, foi morto durante uma abordagem na Cidade de Deus, no Rio de Janeiro

Os policiais militares Diego Pereira Leal e Aslan Wagner Ribeiro de Faria foram absolvidos das acusações de homicídio qualificado contra o adolescente Thiago Menezes Flausino, de 13 anos. O caso ocorreu em 2023, na Cidade de Deus, Zona Oeste do Rio.

O julgamento começou na manhã dessa terça-feira (10) e terminou no fim da noite de quarta-feira (11). Durante o julgamento, a defesa dos policiais apresentou fotos que seriam do Thiago Flausino segurando uma arma e um rádio de comunicação. Os policiais admitiram que atiraram contra o adolescente, mas sustentaram a tese de legítima defesa afirmando que só atiraram porque o adolescente teria disparado contra eles.

Thiago Flausino pilotava uma motocicleta com um amigo na garupa quando os cabos Aslan e Diego, que estavam em um carro descaracterizado, fizeram disparos contra os jovens.

Apesar dos policiais afirmarem que agiram em legítima defesa, os familiares de Thiago negam que ele estivesse armado e afirmam que ele não tinha envolvimento com o crime. Eles disseram que Thiago de desequilibrou, caiu da moto e foi executado quando já estava no chão. Ferido na mão, o amigo do Thiago, Marcos Vinícius, conseguiu fugir.

A sentença foi lida pelo juiz Renan de Freitas Ongaratto, do 2º Tribunal do Júri do Rio de Janeiro, que também absolveu os policiais pela tentativa de homicídio contra Marcos.

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Ao longo dos dois dias, o júri popular ouviu Marcos Vinícius; a mãe de Thiago Flausino, Priscilla Menezes; amigos do adolescente; um dos policiais que estava no carro particular usado na ação e um comandante que participou da Operação Tróia, como ficou conhecida a ação, entre outras testemunhas.

Parentes de Thiago criticaram a sentença, afirmando que a sessão foi dedicada a julgar o adolescente em vez dos policiais que estavam sendo acusados. A Anistia Internacional acompanhou o raciocínio. O órgão manifestou sua indignação pela absolvição e disse que o foco do julgamento foi desviado.

Segundo o órgão, houve deslocamento do foco do julgamento já que, em vez de se concentrar nas circunstâncias da morte do jovem e na conduta dos acusados, houve tentativas reiteradas de questionar a vida e a memória de Thiago, associando sua imagem à criminalidade como forma de justificar sua execução.

“Essa inversão, que transforma a vítima em alvo de julgamento, desvia o debate do que está em análise e fere o direito à memória, à verdade e à justiça”, diz um trecho da nota.

Formada pela PUC Minas, Maria Fernanda Ramos é repórter das editorias Minas Gerais, Brasil e Mundo na Itatiaia. Antes, passou pelo portal R7, da Record.
Diana Rogers tem 34 anos e é repórter correspondente no Rio de Janeiro. Trabalha como repórter em rádio desde os 21 anos e passou por cinco emissoras no Rio: Globo, CBN, Tupi, Manchete e Mec. Cobriu grandes eventos como sete Carnavais na Sapucaí, bastidores da Copa de 2014 e das Olimpíadas em 2016.

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