Os policiais militares
Apesar dos policiais afirmarem que agiram em legítima defesa, os familiares de Thiago negam que ele estivesse armado e afirmam que ele não tinha envolvimento com o crime. Eles disseram que Thiago de desequilibrou, caiu da moto e foi executado quando já estava no chão. Ferido na mão, o amigo do Thiago, Marcos Vinícius, conseguiu fugir.
A sentença foi lida pelo juiz Renan de Freitas Ongaratto, do 2º Tribunal do Júri do Rio de Janeiro, que também absolveu os policiais pela tentativa de homicídio contra Marcos.
Ao longo dos dois dias, o júri popular ouviu Marcos Vinícius; a mãe de Thiago Flausino, Priscilla Menezes; amigos do adolescente; um dos policiais que estava no carro particular usado na ação e um comandante que participou da Operação Tróia, como ficou conhecida a ação, entre outras testemunhas.
Parentes de Thiago criticaram a sentença, afirmando que a sessão foi dedicada a julgar o adolescente em vez dos policiais que estavam sendo acusados. A Anistia Internacional acompanhou o raciocínio. O órgão manifestou sua indignação pela absolvição e disse que o foco do julgamento foi desviado.
Segundo o órgão, houve deslocamento do foco do julgamento já que, em vez de se concentrar nas circunstâncias da morte do jovem e na conduta dos acusados, houve tentativas reiteradas de questionar a vida e a memória de Thiago, associando sua imagem à criminalidade como forma de justificar sua execução.
“Essa inversão, que transforma a vítima em alvo de julgamento, desvia o debate do que está em análise e fere o direito à memória, à verdade e à justiça”, diz um trecho da nota.