Júri de PMs acusados de matar adolescente na Cidade de Deus é retomado no Rio

Thiago Flausino, de 13 anos, foi baleado em 2023 durante ação na comunidade; policiais respondem por homicídio e fraude processual sob acusação de manipular a cena do crime

Júri de PMs acusados de matar adolescente na Cidade de Deus é retomado no Rio

Será retomado nesta quarta-feira (11), o júri popular dos dois policiais militares do Batalhão de Choque envolvidos no assassinato do adolescente Thiago Flausino, que foi baleado durante uma operação ilegal da PM, na Cidade de Deus, em Jacarepaguá, na Zona Sudoeste do Rio, em 2023.

Com 13 anos na época, Thiago estava com um amigo numa motocicleta quando foi alvo de tiros disparados por policiais militares que, segundo a denúncia, estavam em um carro descaracterizado.

A audiência, que começou nessa terça-feira (10), terminou por volta das 2h30. Foram ouvidos o sobrevivente, Marcos Vinícius, o seu pai, Wagner, além da mãe de Thiago, Priscila Menezes. Em seu depoimento, Priscila reforçou que o filho sempre foi educado e disse desconfiar das imagens exibidas pela defesa dos policiais que mostram Thiago supostamente armado. Segundo Priscila, a pessoa que aparece nas imagens não apresentava as características do filho.

À época dos fatos, os dois policiais integravam o Batalhão de Choque da Polícia Militar do Rio de Janeiro. Eles admitiram ter efetuado os disparos e respondem pelos crimes de homicídio e fraude processual. De acordo com a acusação, os agentes teriam manipulado a cena do crime e plantado uma arma para sustentar a versão de confronto.

Em declarações públicas após o crime, a mãe do adolescente, Priscila Menezes, afirmou que busca justiça não apenas pelo filho, mas por outras crianças vítimas da violência. “Eu não vou ter mais meu filho, mas quero justiça por ele e por outras crianças”, disse em um ato realizado na Praia de Copacabana.

Relembre o caso

Os dois policiais militares do Batalhão de Choque, Diego Pereira Leal e Aslan Wagner Ribeiro de Faria, alegaram que Thiago Flausino portava uma arma e teria disparado contra os agentes. Já a família de Thiago nega que tenha havido confronto e afirma que ele e um amigo circulavam pela comunidade na motocicleta do pai de Thiago, quando perderam o controle do veículo e caíram.

Ainda segundo os parentes da vítima, enquanto os dois tentavam reerguer a motocicleta, os agentes, em um carro descaracterizado, executaram o adolescente, já caído no chão.

Segundo as investigações, não há nenhum vestígio que sugira que Thiago tenha disparado contra os policiais.

Os dois PMs, que vão a júri por homicídio, também respondem por fraude processual, por serem acusados de manipular a cena do crime ao plantar uma pistola 9 milímetros próximo a Thiago para sustentar a versão de confronto.

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Formada em jornalismo pelo Centro Universitário de Belo Horizonte (UniBH), já trabalhou na Record TV e na Rede Minas. Atualmente é repórter multimídia e apresenta o ‘Tá Sabendo’ no Instagram da Itatiaia.
Diana Rogers tem 34 anos e é repórter correspondente no Rio de Janeiro. Trabalha como repórter em rádio desde os 21 anos e passou por cinco emissoras no Rio: Globo, CBN, Tupi, Manchete e Mec. Cobriu grandes eventos como sete Carnavais na Sapucaí, bastidores da Copa de 2014 e das Olimpíadas em 2016.

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