O quarto dia de audiências da fase de instrução do processo criminal sobre o
Um dos depoentes foi o operador de máquinas William Isidoro de Jesus, que trabalhava no empilhamento de vagões
Segundo William, a lama chegou a alcançá-lo e atingiu a máquina que ele operava. O equipamento tombou, mas ele não ficou soterrado. “Só quem viveu aquilo lá sabe o
O operador disse que viu colegas soterrados e conseguiu ajudar a desenterrar um deles, identificado como Leandro, que também deveria depor nesta sexta-feira, mas se ausentou. William relatou ainda que não ouviu a sirene de emergência e que os pontos indicados como locais seguros também foram atingidos pela lama.
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“A gente era operador de máquina, não tínhamos informações, apenas víamos movimentações de trabalho na barragem. Toda barragem a gente fica inseguro, quando vê movimentação é pior ainda”, disse.
Ele também contou que participou de treinamentos teóricos e simulados promovidos pela Vale em 2015, mas afirmou que não tinha acesso a informações sobre a segurança da barragem por causa da função que exercia.
Motorista subiu em tanque de caminhão
Outro sobrevivente ouvido foi Waldson Gomes da Silva, motorista de caminhão-tanque de uma empresa terceirizada. Ele relatou que chegou à mina por volta das 11h30 e ouviu o rompimento pouco depois do meio-dia.
Waldson contou que viu a lama avançando rapidamente e tentou fugir com o caminhão, mas acabou subindo no tanque do veículo para tentar se proteger.
Segundo ele, o caminhão foi atingido e arrastado por cerca de dez metros. “Se o caminhão não tivesse sido levado — se tivesse travado — ele ia tombar e jogar a gente na lama”, relatou.
O motorista disse ainda que viu dois conhecidos tentarem fugir em uma caminhonete, mas que eles não conseguiram escapar. Waldson também ajudou no resgate de um colega após o rompimento e foi retirado do local cerca de uma hora depois por um helicóptero do Corpo de Bombeiros.
Ele afirmou que não ouviu a sirene de emergência no momento do desastre e contou que, após a tragédia, ouviu de outras pessoas que havia manutenção sendo feita na barragem. “Ouvi de alguém, depois do acidente, que estavam fazendo uma manutenção na barragem e colocando drenos”, disse.
Waldson relatou ainda que sofreu uma lesão no pé e recebeu atendimento psicológico oferecido pela Vale, mas precisou pagar pelo próprio tratamento do ferimento. “Machuquei o pé, recebi assistência de psicólogo da Vale, mas tive que arcar com o tratamento do pé e não fui reembolsado”, afirmou.
A terceira testemunha prevista para depor nesta sexta-feira, Leandro Borges Cândido, não compareceu à audiência por abalo emocional.
As audiências fazem parte da fase de instrução do processo criminal, etapa dedicada à produção de provas e à oitiva de testemunhas e sobreviventes antes da decisão sobre os próximos encaminhamentos do caso. O cronograma prevê ao todo 76 sessões, que devem ocorrer até maio de 2027 no Tribunal Regional Federal da 6ª Região (TRF-6), em Belo Horizonte.