Familiares das vítimas do desastre de Brumadinho estiveram presentes nesta segunda-feira (23) no
Após as oitivas de três testemunhas, representantes da Associação dos Familiares de Vítimas e Atingidos Pelo Rompimento da Barragem Mina Córrego do Feijão (Avabrum) reforçaram que esperam que os réus do processo sejam pronunciados e vão a júri popular.
Maria Regina da Silva, Vice-Presidente da Avabrum, afirmou que o grupo lutou por sete anos para o caso caminhar na Justiça.
“Indenizações para nós não cabem. Nada do que a gente foi indenizado vai trazer os nossos de volta. Então, para nós, o que interessa é a condenação daqueles que forem culpados”, disse.
“A gente espera exatamente o júri popular. Se eles não tiveram culpa no que aconteceu, vão se defender e vão sair livres, mas quem teve culpa tem que ser punido. Precisamos que a justiça seja feita”, acrescentou.
Réus ‘conheciam situação crítica da barragem’, diz advogado
A Avabrum foi habilitada como assistente de acusação do Ministério Público Federal (MPF) e representa 463 familiares diretos de vítimas no processo. Os réus foram denunciados pelo por homicídio e crimes ambientais.
Danilo Chammas, advogado dos familiares, argumentou que os réus eram pessoas que conheciam a “situação crítica da barragem” e sabiam “por onde a onda de lama passaria e o que ela atingiria no caminho”.
“Então, é por isso que essas pessoas devem, sim, ao final dessas audiências, serem levadas a júri com uma sentença de pronúncia, porque o que elas cometeram foi, de fato, um homicídio doloso com dolo eventual, assumiram um risco muito grande de matar todas essas pessoas que mataram”, alegou o advogado.
Audiências criminais do desastre de Brumadinho
As audiências de instrução e julgamento do desastre de Brumadinho envolvem 17 réus. Serão realizadas 76 sessões até 17 de maio de 2027.
Figuram como réus na ação penal as empresas Vale S.A e TÜV Süd, multinacional alemã, e 16 ex-executivos vinculados às companhias. Eles respondem por homicídio e crimes ambientais.
O rompimento da barragem do córrego do Feijão, em Brumadinho, na Região Metropolitana de Belo Horizonte, ocorreu em 25 de janeiro de 2019 e matou 272 pessoas, entre elas duas mulheres grávidas e seus bebês.
Nota da Vale
“A Vale reafirma seu respeito às vítimas, familiares e comunidades atingidas e reitera seu compromisso com a reparação integral dos danos. A empresa não comenta ações judiciais em andamento.”