Antes da primeira
O momento foi coordenado por Silas Fialho, de 39 anos, liderança do movimento dos atingidos pelo rompimento da barragem. Às 12h28, horário do desastre, ele agradeceu a presença dos familiares e reforçou o pedido por justiça.
“A Justiça tarda, mas não falha. Tardou sete anos e está iniciando agora o processo de escuta com audiências. Esse vai ter que ser o exemplo que a Justiça de Minas Gerais vai ter que dar, não só para nós, mas para o mundo. Que esse crime não fique impune perante a sociedade”, afirmou.
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Depois, o grupo rezou a oração do Pai Nosso. Assista abaixo:
🎥Vinícius Brito/ Itatiaia pic.twitter.com/ZN0Yal0Bcj
— Itatiaia (@itatiaia) February 23, 2026
Audiências criminais do desastre de Brumadinho
A Justiça Federal de Minas Gerais realiza a partir desta segunda-feira (22) as audiências criminas do desastre de Brumadinho.
A previsão é que ocorrerão 76 audiências de instrução e julgamento do caso, realizadas às segundas e sextas-feiras na sede do Tribunal Regional Federal da 6ª Região (TRF6), no bairro Santo Agostinho, na Região Centro-Sul de Belo Horizonte.
Figuram como réus na ação penal as empresas Vale S.A e TÜV Süd, multinacional alemã, e 16 ex-executivos vinculados às companhias. Eles respondem por homicídio e crimes ambientais.
O objetivo da fase de instrução e julgamento é produzir provas e ouvir formalmente os réus, as testemunhas e as vítimas. A Justiça analisará se houve falhas nos sistemas de segurança ou condutas negligentes que possam ter contribuído para o desastre que matou 272 vítimas.
Em nota, a Vale “reafirmou” o respeito às vítimas, familiares e comunidades atingidas, reiterando o compromisso com a reparação integral dos danos, mas disse que não comenta ações judiciais em andamento.
Relembre o desastre de Brumadinho
Em 25 de janeiro de 2019, o rompimento da barragem do córrego do Feijão, em Brumadinho, na Região Metropolitana de Belo Horizonte, marcou o início de um dos maiores desastres ambientais da história de Minas Gerais, do Brasil e do mundo.
Às 12:28 daquele dia, a barragem B1 se rompeu, ocasionando o rompimento de outras duas barragens - BIV e BIVA. Morreram 272 pessoas no desastre, entre elas duas mulheres grávidas e seus bebês. No total, foram afetadas diretamente 26 cidades e 131 comunidades rurais.
Cerca de 12 milhões de m³ de rejeitos foram despejados após o rompimento, o que trouxe uma série de impactos e prejuízos ambientais e socioeconômicos, como a contaminação do Rio Paraopeba.
A barragem B-1 foi construída em 1976 com o método de alteamento a montante pela Ferteco Mineração. Em abril de 2001, a Vale S.A adquiriu a estrutura de 86 metros de altura e 720 metros de comprimento.
A finalidade da barragem era armazenar rejeitos do processo de beneficiamento a úmido de minério de ferro, que ocupavam uma área de aproximadamente 250 mil m². Na época do rompimento, a estrutura estava inativa e com projeto de descaracterização em andamento.
Veja a nota da Vale
“A Vale reafirma seu respeito às vítimas, familiares e comunidades atingidas e reitera seu compromisso com a reparação integral dos danos. A empresa não comenta ações judiciais em andamento.”