Vídeo: familiares de vítimas fazem oração antes da 1ª audiência do desastre de Brumadinho

Sessões, conduzidas pela Justiça Federal de Minas Gerais, começam nesta segunda-feira (23) em Belo Horizonte

Familiares de vítimas fazem oração antes da primeira audiência criminal do desastre de Brumadinho

Antes da primeira audiência criminal do caso, familiares de vítimas do desastre de Brumadinho se reuniram, protestaram e oraram em frente ao prédio do Tribunal Regional Federal da 6ª Região (TRF6), em Belo Horizonte, na tarde desta segunda-feira (23).

O momento foi coordenado por Silas Fialho, de 39 anos, liderança do movimento dos atingidos pelo rompimento da barragem. Às 12h28, horário do desastre, ele agradeceu a presença dos familiares e reforçou o pedido por justiça.

“A Justiça tarda, mas não falha. Tardou sete anos e está iniciando agora o processo de escuta com audiências. Esse vai ter que ser o exemplo que a Justiça de Minas Gerais vai ter que dar, não só para nós, mas para o mundo. Que esse crime não fique impune perante a sociedade”, afirmou.

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Depois, o grupo rezou a oração do Pai Nosso. Assista abaixo:

Audiências criminais do desastre de Brumadinho

A Justiça Federal de Minas Gerais realiza a partir desta segunda-feira (22) as audiências criminas do desastre de Brumadinho. O processo envolve 17 réus, e as sessões ocorrerão até 17 de maio de 2027.

A previsão é que ocorrerão 76 audiências de instrução e julgamento do caso, realizadas às segundas e sextas-feiras na sede do Tribunal Regional Federal da 6ª Região (TRF6), no bairro Santo Agostinho, na Região Centro-Sul de Belo Horizonte.

Figuram como réus na ação penal as empresas Vale S.A e TÜV Süd, multinacional alemã, e 16 ex-executivos vinculados às companhias. Eles respondem por homicídio e crimes ambientais.

O objetivo da fase de instrução e julgamento é produzir provas e ouvir formalmente os réus, as testemunhas e as vítimas. A Justiça analisará se houve falhas nos sistemas de segurança ou condutas negligentes que possam ter contribuído para o desastre que matou 272 vítimas.

Em nota, a Vale “reafirmou” o respeito às vítimas, familiares e comunidades atingidas, reiterando o compromisso com a reparação integral dos danos, mas disse que não comenta ações judiciais em andamento.

Relembre o desastre de Brumadinho

Em 25 de janeiro de 2019, o rompimento da barragem do córrego do Feijão, em Brumadinho, na Região Metropolitana de Belo Horizonte, marcou o início de um dos maiores desastres ambientais da história de Minas Gerais, do Brasil e do mundo.

Às 12:28 daquele dia, a barragem B1 se rompeu, ocasionando o rompimento de outras duas barragens - BIV e BIVA. Morreram 272 pessoas no desastre, entre elas duas mulheres grávidas e seus bebês. No total, foram afetadas diretamente 26 cidades e 131 comunidades rurais.

Cerca de 12 milhões de m³ de rejeitos foram despejados após o rompimento, o que trouxe uma série de impactos e prejuízos ambientais e socioeconômicos, como a contaminação do Rio Paraopeba.

A barragem B-1 foi construída em 1976 com o método de alteamento a montante pela Ferteco Mineração. Em abril de 2001, a Vale S.A adquiriu a estrutura de 86 metros de altura e 720 metros de comprimento.

A finalidade da barragem era armazenar rejeitos do processo de beneficiamento a úmido de minério de ferro, que ocupavam uma área de aproximadamente 250 mil m². Na época do rompimento, a estrutura estava inativa e com projeto de descaracterização em andamento.

Veja a nota da Vale

“A Vale reafirma seu respeito às vítimas, familiares e comunidades atingidas e reitera seu compromisso com a reparação integral dos danos. A empresa não comenta ações judiciais em andamento.”

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Repórter no portal da Itatiaia. Formado em Jornalismo pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG).

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