Sete anos após tragédia em Brumadinho, estrutura da Vale se rompe em Congonhas, em MG

Rompimento ocorreu na madrugada deste domingo (25), na Região Central de Minas

Sete anos após tragédia em Brumadinho, dique da Vale se rompe em Congonhas, em MG

Justamente quando se completaram sete anos da tragédia da Vale no rompimento da barragem da Mina Córrego do Feijão, em Brumadinho, na Região Metropolitana de Belo Horizonte, que matou 270 pessoas, ou 272, se contadas as vítimas que estavam grávidas, uma estrutura, também da Vale, se rompeu na manhã deste domingo (25), em Congonhas, na Região Central de Minas.

Um vídeo obtido pela reportagem da Itatiaia flagrou o momento exato em que a estrutura da Vale se rompeu. Nas imagens, é possível ver a forte correnteza de lama que desce próximo a um local onde há pessoas filmando o rompimento de dentro de um carro. A estrutura fica próxima a uma área da CSN Mineração, que possui uma represa nas proximidades.

Dique da Vale se rompeu em Congonhas, na Região Central de Minas, durante a madrugada deste domingo (25).

O secretário municipal de Meio Ambiente se deslocou até o local para acompanhar a ocorrência e prestar esclarecimentos sobre o impacto e as providências adotadas.

Na tragédia em Brumadinho, que durou cerca de 2.558 dias desde 25 de janeiro de 2019, o Corpo de Bombeiros de Minas Gerais encerrou as buscas pelas vítimas neste domingo (25). Também foi concluída a vistoria de todo o rejeito referente ao desastre. A operação, no entanto, segue em uma nova fase.

Segundo o tenente Henrique Barcellos, porta-voz do Corpo de Bombeiros, “houve o rompimento de um sump gerando o extravasamento da água represada”.

“Na mineração é comum a estrutura denominada sump ou reservatório de água, usado para drenar a água que se acumula na cava dessa mina, justamente por uma questão de acúmulo de água da chuva, qualquer infiltração. Então, essa drenagem é feita para que não haja ali um alagamento da região onde ocorre a mineração. Essa água então é drenada para um reservatório chamado sump. Ao que tudo indica até o momento, esse reservatório sofreu um rompimento, um colapso em uma de suas estruturas, e extravasou a água que ele estava contendo por essa drenagem, disse o tenente Henrique Barcellos.

Rompimento de dique ocorreu no dia dos sete anos de Brumadinho

O rompimento da estrutura da Vale aconteceu justamente no dia que se completou sete anos da tragédia em Brumadinho. Segundo o porta-voz da corporação, tenente Henrique Barcelos, ao longo dos anos foram adotadas diversas estratégias de busca, incluindo o salvamento de sobreviventes, varreduras superficiais, uso de cães farejadores e apoio aéreo.

Ao todo, foram empregados 65 cães de busca e registradas mais de 1.600 horas de voo com aeronaves. Atualmente, a operação chegou à oitava estratégia, com a implantação de estações de busca.

Uma das principais novidades é a conclusão da vistoria integral do rejeito. Segundo Barcelos, aproximadamente 11 milhões de metros cúbicos foram analisados, com o trabalho finalizado no dia 23 de dezembro de 2025.

Apesar do avanço, o tenente reforçou que não se trata do encerramento definitivo das buscas. Isso porque o trabalho da Polícia Civil segue em andamento na identificação dos segmentos encontrados. Barcelos também ressaltou que a interlocução com os familiares das vítimas permanece ativa, por meio da Secretaria de Estado de Planejamento e Gestão.

Vítimas desaparecidas

A tragédia deixou 270 mortos, ou 272, se contadas as vítimas que estavam grávidas. A última vítima encontrada foi Maria Lourdes da Costa Bueno, de 59 anos. Ela foi identificada em fevereiro de 2025.

Maria de Lurdes era moradora de São José do Rio Pardo, no interior de São Paulo e natural da capital paulista. Ela estava passeando com a família para conhecer o Inhotim. Todos estavam hospedados na Pousada Nova Estância, destruída pela lama da barragem.

Com a tragédia, a pousada foi soterrada pela lama da barragem, resultando na morte de Maria de Lurdes, a de seu marido Adriano Ribeiro da Silva, seus dois enteados, Luiz e Camila Taliberti, e sua nora, Fernanda Damian de Almeida.

Nota Vale

A Vale esclarece que, na madrugada deste domingo (25), houve extravasamento de água com sedimentos de uma cava da mina de Fábrica, em Ouro Preto (MG). O fluxo alcançou algumas áreas de uma empresa. Pessoas e a comunidade da região não foram afetadas. Como é praxe nessas situações, a Vale já comunicou os órgãos competentes e prioriza a proteção das pessoas, comunidades e meio ambiente. As causas do extravasamento de água estão sendo apuradas.

A Vale reforça que o ocorrido não tem qualquer relação com as barragens da empresa na região, que seguem sem alterações nas suas condições de estabilidade e segurança e monitoradas 24 horas por dia, 7 dias por semana.

Nota CSM Mineração

Na madrugada de hoje (25/1), houve uma ocorrência em uma cava pertencente à Mineradora Vale, o que provocou o alagamento de áreas na unidade Pires, em Ouro Preto, de propriedade da CSN Mineração, incluindo o Almoxarifado, acessos internos, oficinas mecânicas, área de embarque entre outras áreas e atividades. Importante ressaltar que todas as estruturas de contenção de sedimentos da CSN Mineração estão operando normalmente.

A CSN Mineração informa que, desde o primeiro momento, acompanha a situação de forma permanente e que as autoridades competentes já foram comunicadas.

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Formada em jornalismo pelo Centro Universitário de Belo Horizonte (UniBH), já trabalhou na Record TV e na Rede Minas. Atualmente é repórter multimídia e apresenta o ‘Tá Sabendo’ no Instagram da Itatiaia.

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