TJMG vai apurar denúncias contra magistrado que absolveu homem acusado de estupro

O desembargador, relator do caso, votou pela absolvição de um réu de 35 anos do crime de estupro de vulnerável contra uma criança de 12 anos

No último domingo (22), manifestantes protestaram em frente ao TJMG contra os dois desembargadores favoráveis à absolvição.

O Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG) apurará internamente as denúncias feitas contra o desembargador Magid Nauef Láuar, relator que votou pela absolvição de um homem de 35 anos acusado de manter um relacionamento com uma criança de 12 anos no Triângulo Mineiro.

O compromisso da instituição foi reforçado em reunião realizada nesta segunda-feira (23) entre o presidente do Tribunal, Luiz Carlos Corrêa Junior, a deputada estadual Bella Gonçalves (PSOL-MG) e as vereadoras de Contagem e Belo Horizonte, Moara Saboia (PT-MG) e Iza Lourença (PSOL-MG).

O procedimento instaurado deve apurar denúncias de violência sexual contra o próprio relator que surgiram nas redes sociais após a decisão ganhar repercussão nacional.

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À Itatiaia, a deputada estadual e presidente da Comissão de Direitos Humanos da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG) afirmou que, na reunião, a instituição também se comprometeu a abrir uma nova Vara Cível da Infância e da Adolescência “em breve” e a ampliar o debate sobre a formação de juízes e desembargadores. “O tema é muito complexo e não é apenas com uma punição que a situação se resolverá completamente. Precisamos da punição dos agressores e estupradores, mas também é preciso pensar em como ampliar o cuidado a crianças e adolescentes”, disse para a reportagem.

Relembre o caso

Em Indianópolis, no Triângulo Mineiro, um homem de 35 anos, acusado de estupro de vulnerável, foi absolvido por dois votos a um na 9ª Câmara Criminal Especializada do TJMG. A mãe da vítima, que consentia com a relação, também foi absolvida. Os magistrados entenderam que o réu e a criança possuíam um “vínculo afetivo consensual”.

O homem foi preso em flagrante em abril de 2024. Na delegacia, ele admitiu manter relações sexuais com a menor, enquanto a mãe confessou ter autorizado o “namoro”. Em troca, o acusado comprava cestas básicas para a família da criança.

Ao relatar o caso, o desembargador Magid Nauef Láuar considerou que a criança mantinha uma relação “análoga ao matrimônio” com o réu, sob autorização familiar. O magistrado destacou que as investigações não apontaram violência, coação, fraude ou constrangimento, mas sim um “vínculo afetivo consensual, com prévia aquiescência dos genitores”.

O voto do relator foi acompanhado pelo desembargador Walner Barbosa Milward de Azevedo. O voto vencido foi proferido pela desembargadora Kárin Emmerich, que se posicionou contra a absolvição.

As investigações começaram após a escola identificar que a criança não estava frequentando as aulas. A denúncia partiu da própria instituição de ensino ao Conselho Tutelar.

A decisão, que repercute desde a última sexta-feira (20), tem movimentado a agenda da presidência do TJMG. Além do encontro com as parlamentares nesta segunda, o presidente do Tribunal deve se reunir, na terça-feira (24), com o vice-governador de Minas Gerais, Mateus Simões (PSD), e com o deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG).

Ato previsto para quarta-feira

No último domingo (22), manifestantes protestaram em frente ao Tribunal de Justiça contra os dois desembargadores favoráveis à absolvição.

Um novo ato está previsto para esta quarta-feira (25), às 15h30, também na sede do TJMG. A segurança ao redor do Tribunal foi reforçada com grades de proteção.

Graduada em Jornalismo pela Universidade Federal de Minas Gerais, com passagem pela Rádio UFMG Educativa. Na Itatiaia, já foi produtora de programas da grade e repórter da Central de Trânsito Itatiaia Emive.

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