Justiça ouve novas testemunhas no 2º dia de audiências do desastre de Brumadinho

Três testemunhas serão ouvidas, a partir das 13h, no Tribunal Regional Federal da 6ª Região; fase de instrução e julgamento do processo terminará apenas em maio de 2027

Réus de processo penal envolvendo rompimento da barragem de Brumadinho respondem por homicídio e crimes ambientais

As audiências dos processos criminais relacionados ao rompimento da Barragem B1 da Vale, no Córrego do Feijão, em Brumadinho, continuam nesta sexta-feira (27), a partir das 13h, no Tribunal Regional Federal da 6ª Região (TRF6). A tragédia matou 272 pessoas em 25 de janeiro de 2019 e devastou o município na Região Metropolitana de Belo Horizonte.

Três testemunhas serão ouvidas: Nayara Cristina Dias Porto, Juliana Cardoso Silva Gomes e Josiana de Souza Resende. Essa fase do processo, conhecida como instrução e julgamento, é destinada à produção de provas e à oitiva de testemunhas de acusação e defesa.

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De acordo com o TRF6, o objetivo é apurar eventuais falhas nos sistemas de segurança e possíveis condutas negligentes que possam ter contribuído para o rompimento da barragem. O processo envolve 17 réus, e as sessões ocorrerão até 17 de maio de 2027.

A primeira audiência foi realizada na última segunda-feira (23). Na data, foram ouvidas as testemunhas Kenya Paiva Silva Lamounier, Andressa Aparecida Rocha Rodrigues e Natália de Oliveira.

Até o final da fase de instrução e julgamento, a previsão é que 76 audiências sejam realizadas, às segundas e sextas-feiras, na sede do Tribunal Regional Federal da 6ª Região (TRF6), no bairro Santo Agostinho, na Região Centro-Sul de Belo Horizonte.

Figuram como réus na ação penal as empresas Vale S.A e TÜV Süd, multinacional alemã, e 16 ex-executivos vinculados às companhias. Eles respondem por homicídio e crimes ambientais.

A empresa alemã TÜV Süd foi envolvida no processo como controladora da Tüv Süd Bureau de Projetos e Consultoria LTDA, subsidiária no Brasil que atestou que havia estabilidade na Barragem B1 antes do rompimento.

Primeiro, serão ouvidos familiares de vítimas, sobreviventes, peritos, bombeiros , engenheiros e testemunhas de defesa. Depois, serão realizadas as oitivas de estrangeiros ou residentes no exterior. O interrogatório dos réus está previsto para começar em 15 de março de 2027.

Relembre o desastre de Brumadinho

Em 25 de janeiro de 2019, o rompimento da barragem do córrego do Feijão, em Brumadinho, na Região Metropolitana de Belo Horizonte, marcou o início de um dos maiores desastres ambientais da história de Minas Gerais, do Brasil e do mundo.

Às 12:28 daquele dia, a barragem B1 se rompeu, ocasionando o rompimento de outras duas barragens - BIV e BIVA. Morreram 272 pessoas no desastre, entre elas duas mulheres grávidas e seus bebês. No total, foram afetadas diretamente 26 cidades e 131 comunidades rurais.

Cerca de 12 milhões de m³ de rejeitos foram despejados após o rompimento, o que trouxe uma série de impactos e prejuízos ambientais e socioeconômicos, como a contaminação do Rio Paraopeba.

A barragem B-1 foi construída em 1976 com o método de alteamento a montante pela Ferteco Mineração. Em abril de 2001, a Vale S.A adquiriu a estrutura de 86 metros de altura e 720 metros de comprimento.

A finalidade da barragem era armazenar rejeitos do processo de beneficiamento a úmido de minério de ferro, que ocupavam uma área de aproximadamente 250 mil m². Na época do rompimento, a estrutura estava inativa e com projeto de descaracterização em andamento.

Nota da Vale

“A Vale reafirma seu respeito às vítimas, familiares e comunidades atingidas e reitera seu compromisso com a reparação integral dos danos. A empresa não comenta ações judiciais em andamento.”

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Jornalista formada pelo UniBH, é apaixonada pelo dinamismo do factual e pelo poder das histórias bem narradas. Com trajetória que inclui passagens pelo Sistema Faemg Senar, jornal Estado de Minas e g1 Minas, possui experiência em múltiplas plataformas e linguagens. Atualmente, integra a redação da Rádio Itatiaia, onde acompanha os principais acontecimentos de Minas Gerais, do Brasil e do mundo
Repórter no portal da Itatiaia. Formado em Jornalismo pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG).

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