Ex-vereadora de Uberlândia é condenada a 7 anos e 6 meses de prisão por extorsão

Eleita como a primeira mulher transexual da Câmara Municipal de Uberlândia, Pâmela teria ameaçado uma travesti em um ponto de prostituição na cidade

Pâmela Volp teve o mandato de vereadora cassado pela Câmara Municipal de Uberlândia em 2020.

O Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG), por meio da 1ª Câmara Criminal, condenou em definitivo a ex-vereadora de Uberlândia Pâmela Volp pelo crime de extorsão mediante grave ameaça, cometido em 2021. A pena foi fixada em sete anos de prisão, em regime inicial semiaberto.

Outra mulher, apontada como cúmplice da ex-parlamentar, também foi condenada a seis anos de reclusão.

Eleita como a primeira mulher transexual da Câmara Municipal de Uberlândia, Pâmela teria ameaçado, com uma faca e uma arma de fogo, uma travesti em um ponto de prostituição na cidade.

Segundo denúncia do Ministério Público de Minas Gerais (MPMG), em novembro de 2021, no bairro Dona Zulmira, Pâmela, a comparsa e uma terceira pessoa não identificada teriam constrangido a vítima a pagar uma diária de R$ 50 para trabalhar como garota de programa.

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Ainda conforme a denúncia, a ex-vereadora teria avançado contra a vítima portando um revólver, afirmando que iria “matá-la” e que seria a “dona da cidade”. A vítima conseguiu fugir, mas relatou ter ouvido Pâmela dizer aos comparsas que ninguém mais iria “trabalhar em Uberlândia” sem efetuar pagamento a ela.

Para o MPMG, Pâmela deixou claro que nenhuma travesti ou mulher transexual poderia se prostituir naquela região sem o pagamento da diária de R$ 50.

A ex-vereadora, que se apresentava como ativista dos direitos LGBTQIAPN+, foi investigada na Operação Libertas, que a apontou como líder de uma rede de exploração sexual que atuava em Uberlândia, envolvendo especialmente travestis e mulheres trans.

Pâmela e outros investigados chegaram a ser presos durante a operação, deflagrada em 2021 pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco). A ação teve como objetivo combater uma organização criminosa suspeita de atuar com exploração sexual, manutenção de casa de prostituição, roubo, lesão corporal, homicídio, constrangimento ilegal, ameaça, posse e porte ilegal de armas.

Na decisão, o TJMG manteve as penas de reclusão impostas a Pâmela e à comparsa pela Justiça de primeira instância, mas excluiu a indenização por danos morais à vítima, inicialmente fixada em R$ 20 mil. Por maioria, os magistrados também afastaram a perda de um veículo apreendido durante a operação.

Antes de ser investigada na Operação Libertas, Pâmela teve o mandato de vereadora cassado pela Câmara Municipal, em 2020, sob acusação de uso irregular da verba indenizatória. O Legislativo entendeu que houve infração político-administrativa ao não serem apresentadas notas fiscais e recibos referentes a material impresso encomendado pelo gabinete.

Graduada em Jornalismo pela Universidade Federal de Minas Gerais, com passagem pela Rádio UFMG Educativa. Na Itatiaia, já foi produtora de programas da grade e repórter da Central de Trânsito Itatiaia Emive.

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