Cão Orelha: saiba o que aponta perícia sobre causa da morte do animal

Análise técnica foi viabilizada após a 10ª Promotoria de Justiça de Florianópolis solicitar a exumação

Orelha foi brutalmente assassinado

Um laudo pericial elaborado a partir da exumação do cão Orelha, morto no início de janeiro na Praia Brava, em Florianópolis, não identificou fraturas de origem humana no esqueleto do animal. O documento, no entanto, ressalta que a ausência de quebras ósseas não permite descartar a ocorrência de agressões ou traumas fatais em tecidos moles, mantendo inconclusiva a causa exata da morte.

Diante dos resultados, a Polícia Civil de Santa Catarina encaminhou os procedimentos ao Ministério Público (MPSC), que agora avalia o material para emitir um parecer oficial, enquanto a defesa do adolescente suspeito de envolvimento aguarda a manifestação ministerial para se posicionar. A análise técnica foi viabilizada após a 10ª Promotoria de Justiça de Florianópolis solicitar a exumação, realizada no dia 11 de janeiro com autorização judicial, visando esclarecer lacunas na investigação policial anterior.

Durante o trabalho, os peritos examinaram minuciosamente toda a estrutura óssea do animal, mas pontuaram limitações significativas devido ao avançado estado de esqueletização. Embora o laudo afirme que não foram encontradas lesões no crânio ou em outros ossos, os especialistas destacam que traumas cranianos graves frequentemente ocorrem sem gerar fraturas, sendo plenamente plausível que o cão tenha sofrido um impacto contundente e apresentado uma piora clínica progressiva até o óbito.

O exame pericial também desmentiu informações que circularam em redes sociais, indicando que não foram encontrados vestígios de pregos cravados na cabeça do animal. Em contrapartida, os técnicos identificaram uma porosidade no maxilar esquerdo compatível com osteomielite e sinais de espondilose deformante na coluna vertebral, ambas condições clínicas e degenerativas comuns em cães idosos e sem relação com possíveis episódios de violência.

O caso do cão Orelha, que era cuidado de forma comunitária por moradores da Praia Brava, gerou forte repercussão nacional após a divulgação de vídeos que mostravam um grupo de adolescentes agredindo um animal com características semelhantes. Encontrado em agonia no dia 5 de janeiro, Orelha chegou a ser socorrido em uma clínica veterinária, mas não resistiu.

Um laudo preliminar da Polícia Civil havia apontado inicialmente um golpe na cabeça como causa da morte. Atualmente, oito jovens foram ouvidos e um deles é apontado como o autor da agressão. O Ministério Público decidirá se pedirá a internação do envolvido por ato infracional análogo a maus-tratos, em processo que tramita sob segredo de Justiça.

Com informações de Estadão Conteúdo

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