‘Não acredito que BH seja uma cidade conservadora’, diz vereadora Iza Lourença (PSOL)

Parlamentar admite às pautas progressistas na Câmara de BH, mas ressalta característica histórica da capital mineira

Iza Lourença anunciou que bancada do Psol pretende judicializar veto à linguagem neutra

A vereadora Isa Lourença (PSOL), terceira mais votada nas eleições municipais deste ano em Belo Horizonte, com 21.485 votos, é uma das parlamentares que vão compor o bloco de partidos de esquerda que deve vai ter mais cadeiras na Câmara Municipal no ano que vem.

Ao mesmo tempo, o bloco da parlamentar na última legislatura enfrentou muita resistência de outras bancadas na Câmara em pautas progressistas, e não conseguiu impedir avanços de pautas ligadas ao conservadorismo, como projeto que proibia o uso do banheiro por pessoas transgênero ou não-binárias em igrejas, eventos e escolas vinculados a instituições religiosas, aprovado em 2023 na Câmara.

Em entrevista a Itatiaia, a vereadora disse acreditar que BH não é uma cidade conservadora, apesar de haver forte movimento contra pautas progressistas.

“Eu não acredito que em Belo Horizonte seja uma cidade conservadora. Na verdade, Belo Horizonte já foi vanguarda de muita coisa, né? Belo Horizonte tem o Djonga, o FBC, que hoje são nomes nacionais com muito destaque na cultura hip hop. Belo Horizonte inaugurou a Praia da Estação, né? Já que a gente não tem praia, nós vamos de biquíni para a praça e vamos ficar lá, tomando sol, tomando água com as fontes. Belo Horizonte é a cidade do Milton Nascimento, do Clube da Esquina. Belo Horizonte tem vanguarda de muita coisa, mas nos últimos anos existe um cenário internacional nacional, de uma população ficando muito conservadora, principalmente no que se refere aos direitos das pessoas LGBTQI+”, afirmou a vereadora.

A vereadora ressaltou que qualquer pauta ligada a políticas para a população LGBTQIA+, ou que tenham simplesmente a palavra “gênero” na redação do texto, é alvo de crítica e reprovação dos seus colegas de Câmara.

“Então, você pode ver, eu tenho 18 leis aprovadas, eu como uma mulher bissexual, que atua no movimento LGBT, não consegui aprovar um projeto que falasse sobre proteção às pessoas que são violentadas pela sua orientação sexual ou identidade de gênero, porque lá na Câmara, você se apresenta um projeto de lei que fala em gênero literário ou em gênero alimentício, e eles já barram porque eles combatem fortemente as pessoas da LGBTs, principalmente as pessoas travestis e transexuais, que são as que mais morrem no Brasil, e o Brasil é o país que mais mata travestis e transexuais no mundo”, avaliou Lourença.

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Jornalista graduado pela PUC Minas; atua como apresentador, repórter e produtor na Rádio Itatiaia em Belo Horizonte desde 2019; repórter setorista da Câmara Municipal de Belo Horizonte.

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