Ouvindo...

Times

Atingidos pelo rompimento de barragem em Mariana protestam em frente ao TRF-6

Cerca de 150 pessoas manifestaram pela garantia de maior participação popular na condução das negociações por um acordo de reparação para o maior desastre socioambiental brasileiro

Pelo menos 150 pessoas, atingidas pela tragédia ambiental da Samarco, em Mariana, protestaram na tarde deste segunda-feira (17) em em frente à sede do Tribunal Regional Federal da 6ª Região (TRF-6), na avenida Raja Gabaglia, região centro-sul de Belo Horizonte.

Os atingindo pedem mais participação nas negociações do novo acordo de repactuação de Mariana. O Tribunal é responsável por fazer a mediação entre as mineradoras Vale, Samarco e BHP Billiton e os governos de Minas Gerais e Espirito Santo, além da União. Os atingidos foram recebidos por integrantes do tribunal e pediram uma reunião com a presidente do TRF-6, Mônica Sifuentes.

Leia mais:

“Os atingidos não aceitam esse modelo de acordo e pedimos uma reunião para apresentarmos nossas propostas”, afirmou um dos integrantes da Coordenação Nacional do MAB [Movimento dos Atingidos por Barragens], Thiago Alves.

A Itatiaia apurou com pessoas próximas às negociações que garantem que há um empenho por parte do TRF-6 para que o novo acordo de Mariana seja fechado ainda neste ano.

Leia também

Valor do acordo ainda é motivo de conflito

Nove anos depois do rompimento da barragem em Mariana, o maior entrave para a consolidação do acordo é o valor e a forma de pagamento, pelas mineradoras, pelos danos cometidos.

O Movimento dos Atingidos por Barragens defende um pagamento de R$ 500 bilhões. Já a proposta apresentada pelo poder público é de R$ 109 bilhões, pagos em 12 anos, desconsiderando outras despesas que as mineradoras deverão arcar, sobretudo relacionadas a indenizações individuais e reparação dos danos ambientais, as chamadas “obrigações de fazer”.

No entanto, na última semana, a Vale se comprometeu com o pagamento de R$ 103 bilhões — destes, apenas R$ 82 bilhões entrariam nos cofres dos entes públicos, e divididos em 20 anos.

Pelo cálculo, a mineradora desembolsaria R$ 4,1 bilhões ao ano, o equivalente a 12,7% do seu lucro médio considerando o período de 2015 (ano da tragédia em Mariana) a 2023.

Desde 2015, ano da tragédia, a Vale acumulou R$ 289,5 bilhões em lucros líquidos, uma média de R$ 32,16 bilhões por ano.

Até hoje, ninguém está preso por responsabilidade no colapso da estrutura que matou 19 pessoas e despejou mais de 40 milhões de metros cúbicos de rejeitos de minério na bacia do Rio Doce e de parte do litoral capixaba.


Participe dos canais da Itatiaia:

Repórter de política na Rádio Itatiaia. Começou no rádio comunitário aos 14 anos. Graduou-se em jornalismo pela PUC Minas. No rádio, teve passagens pela Alvorada FM, BandNews FM e CBN, no Grupo Globo. No Grupo Bandeirantes, ocupou vários cargos até chegar às funções de âncora e coordenador de redação na BandNews FM BH. Na televisão, participava diariamente da TV Band Minas e do BandNews TV. Vencedor de 8 prêmios de jornalismo. Já foi eleito pelo Portal dos Jornalistas um dos 50 profissionais mais premiados do Brasil.
Leia mais