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Dívida de Minas: Zema fala que União ‘esbarra em má-fé' e pede negociação federativa mediada pelo STF

Julgamento sobre adiamento do prazo para retomada do pagamento da dívida por Minas está marcado para esta sexta (10); Zema quer que ação seja retirada de pauta

Governo Zema trava embate com a União em petições apresentadas ao ministro Kassio Nunes Marques

O governador Romeu Zema (Novo) disse, em petição encaminhada ao Supremo Tribunal Federal (STF), que o governo federal “esbarra em má-fé" ao alegar que seu governo ficou inerte nos últimos meses em relação a uma solução para resolver o problema da dívida de R$ 160 bilhões com a União.

Em documento enviado ao ministro Nunes Marques no início da noite desta quinta-feira (9), o governador mineiro ainda propôs que a Corte abra uma negociação federativa — incluindo o Ministério da Fazenda, a Advocacia-Geral da União, o Congresso e a Assembleia de Minas — para “com a união de todos esses esforços, alinhar a solução republicana para a dívida de Minas Gerais de modo a preservar os interesses do Povo Mineiro e, ao fim, do Brasil”.

Essa é a segunda manifestação do governador desde a noite anterior, quando pediu a Nunes Marques que retire da pauta virtual do Supremo o julgamento sobre uma decisão dele que concede mais 90 dias para que o Estado deixe de pagar as devidas parcelas da dívida. O jugamento, em plenário virtual, está marcado para começar na primeira hora desta sexta-feira (10). Os outros 10 ministros da Corte terão prazo de uma semana para se manifestarem sobre o assunto.

A proposta de Romeu Zema é de que o estado pague R$ 320 milhões ao governo federal, a partir de julho deste ano, como se tivesse feito a adesão ao Regime de Recuperação Fiscal (RRF) — o que não foi feito. Por sua vez, a Advocacia-Geral da União (AGU), disse que o prazo poderia ser adiado somente até o final de maio, quando as parcelas deveriam ser cobradas novamente.

Ao STF, o órgão, que representa o governo federal, disse que a posição de Minas é de concordância “ainda que parcial” da sua manifestação e pede que o julgamento seja mantido. “Isso porque o pedido foi formulado no sentido de que o ente federado retomasse o pagamento da dívida, como se no RRF estivesse, a partir de maio de 2024", diz trecho da petição da AGU em resposta ao pedido de Zema para que a ação fosse retirada de pauta no Supremo.

Para o governo Zema, a manifestação da AGU esbarra em má-fé e são “fruto de equivocadas e distorcidas premissas”.

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Embate jurídico

O Governo de Minas tem enfrentado posição divergente por parte da Advocacia-Geral da União (AGU) sobre o assunto.

O tema do pagamento da dívida do estado com o governo federal voltou à pauta do Supremo no fim do ano passado, quando Nunes Marques atendeu a um pedido para adiar uma solução para o caso até abril deste ano. Na véspera do término do prazo, o ministro adotou um meio termo em um novo pedido de adiamento: Zema queria mais 180 dias e a AGU, cerca de 40 dias. Nunes Marques concedeu mais três meses de carência.

O governo Lula recorreu do prazo dado pelo ministro e cobrou do STF que determine à gestão Zema a imediata retomada do pagamento da dívida.


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Editor de política. Foi repórter no jornal O Tempo e no Portal R7 e atuou no Governo de Minas. Formado em Comunicação Social pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), tem MBA em Jornalismo de Dados pelo IDP.