Mesa do TCE sobre contratos da Copasa terá reunião em fevereiro com participação da AMM

Associação Mineira de Municípios participará de mesa conciliadora aberta no ano passado a pedido da Copasa e do governo estadual

Tribunal de Contas do Estado de Minas Gerais (TCE-MG) organiza mesa conciliadora sobre contratos da Copasa

A Associação Mineira de Municípios (AMM) participará da próxima reunião da mesa de conciliação aberta pelo Tribunal de Contas do Estado (TCE-MG) para discutir a ampliação dos contratos da Copasa em Minas Gerais. O encontro está previsto para fevereiro deste ano.

A AMM foi um dos agentes do debate sobre a privatização da Copasa no fim do ano passado. Já na etapa derradeira das discussões do projeto de lei (PL) que previa a autorização da venda da companhia de saneamento, a associação cobrou diálogo do Executivo Estadual e chegou a acionar o TCE para averiguar os impactos do processo para o abastecimento das cidades.

A mesa de conciliação, no entanto, não está diretamente relacionada ao pedido da AMM. O espaço de debate foi solicitado pela própria Copasa e pelo governo estadual para discutir a renovação dos contratos da empresa com cidades mineiras e a ampliação dos programas de abastecimento hídrico e coleta e tratamento de esgoto no âmbito do novo marco legal do saneamento básico.

A participação da AMM na mesa de conciliação foi aprovada em dezembro, mesmo mês em que a Assembleia Legislativa (ALMG) aprovou a privatização da Copasa em segundo turno.

O que a AMM solicita junto ao TCE?

Embora a participação na mesa de conciliação não esteja diretamente relacionada ao processo de consulta formal enviado pela AMM ao TCE, a associação aponta que o convite foi feito após a ação.

Os temas da mesa de conciliação e da consulta pedida pela AMM se confundem. Na ação movida no início de dezembro e ainda sob análise do tribunal, a associação que representa 836 dos 853 municípios do estado, pede informações sobre os efeitos da privatização da Copasa nos contratos vigentes com as cidades.

“Nós não podemos aceitar que os municípios não sejam ouvidos. O meu papel é institucional e de garantir que os municípios sejam ouvidos, porque quem contrata água e esgoto é prefeito”, destacou o presidente da AMM e prefeito de Patos de Minas, Luís Eduardo Falcão sobre a participação da associação na mesa conciliadora,

A privatização da Copasa

A privatização da Copasa, bem como da Gasmig e da Cemig, já integrava a pauta do governo Zema desde o primeiro mandato, mas ganhou novo fôlego com a criação do Programa de Pleno Pagamento de Dívidas dos Estados (Propag). Com o projeto permitindo a privatização e federalização de ativos como forma de pagar a dívida com a União, vários projetos da pauta privatista do Executivo andaram na Assembleia após anos parados, incluindo os imóveis do estado.

Antes de que o Projeto de Lei (PL) 4.380/2025 começasse a tramitar na Assembleia ao tratar especificamente sobre a venda da companhia de saneamento, a Casa viveu uma atribulada discussão da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 24/2023. Também de autoria de Zema, o texto derrubou a exigência de um referendo popular para autorizar a privatização da Copasa.

O Propag prevê que estados refinanciem em 30 anos a dívida com a União e estabelece mecanismos para reduzir os juros cobrados sobre as parcelas. O projeto do Executivo Estadual é ingressar no programa abatendo 20% do estoque devido. Para obter o valor necessário na amortização da dívida, o Executivo enviou projetos para federalizar ou privatizar estatais à Assembleia.

Os juros eram indexados pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) mais 4% ao ano. Se o estado conseguir amortizar 20% do estoque da dívida, dois pontos percentuais da cobrança adicional são abatidos.

Outro ponto percentual pode ser abatido com o compromisso de que a economia obtida com essa redução de juros seja reinvestida no estado. O uso do valor que não será pago em forma de dívida deve, portanto, ser aplicado em ações de segurança pública, ensino profissionalizante, infraestrutura e outras áreas nevrálgicas da estrutura do estado.

A venda da Copasa foi defendida como forma de obter recursos para fazer tais investimentos no primeiro ano de adesão ao Propag.

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Repórter de política da Itatiaia, é jornalista formado pela UFMG com graduação também em Relações Públicas. Foi repórter de cidades no Hoje em Dia. No jornal Estado de Minas, trabalhou na editoria de Política com contribuições para a coluna do caderno e para o suplemento de literatura.

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