Lula veta PL que reduz pena de Bolsonaro e condenados pelo 8 de janeiro

Veto foi assinado durante ato cerimônia no Planalto para relembrar os 3 anos dos atos golpistas

O presidente Lula durante reunião no Palácio do Planalto

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) vetou nesta quinta-feira (8) o projeto de lei que reduz as penas para condenados por crimes contra a democracia, caso do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e envolvidos nos atos de 8 de janeiro de 2023. A rejeição ao texto foi assinada em cerimônia no Palácio do Planalto para relembrar os 3 anos dos atos golpistas em Brasília.

Agora, o Congresso Nacional pode decidir, em sessão conjunta da Câmara e do Senado, se mantém ou derruba o veto do petista.

Um dos pontos centrais do texto é a cumulação de penas nos crimes de golpe de Estado e abolição violenta do Estado Democrático de Direito. A proposta impede a soma das penas desses delitos quando cometidos em um mesmo contexto.

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Outra mudança é a possibilidade de redução de um a dois terços da pena para quem participou dos atos antidemocráticos em “contexto de multidão”, desde que não tenha financiado nem exercido liderança, além de garantir a progressão de regime para aqueles que tenham cumprido 1/6 da pena no regime fechado.

Ainda pelo projeto, pessoas em prisão domiciliar poderão considerar o trabalho como forma de reduzir a pena a ser cumprida — a chamada remição. Atualmente, apenas o estudo pode remir a pena na modalidade domiciliar.

De acordo com o relator do texto na Câmara, deputado Paulinho da Força (Solidariedade-SP), com as alterações, o tempo de prisão em regime fechado de Bolsonaro deve cair de 27 anos e 3 meses para 2 anos e 4 meses.

Os parlamentares aprovaram ainda uma emenda do senador Sergio Moro (União-PR) que limita as novas regras aos crimes ligados ao 8 de janeiro, para impedir que condenados por outros delitos sejam beneficiados. A mudança, no entanto, é questionada no STF por líderes de partidos de esquerda na Câmara.

Repórter de política em Brasília. Formado em jornalismo pela Universidade Federal de Viçosa (UFV), chegou na capital federal em 2021. Antes, foi editor-assistente no Poder360 e jornalista freelancer com passagem pela Agência Pública, portal UOL e o site Congresso em Foco.

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