O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, afirmou que a cooperação entre Brasil e Venezuela na área da saúde segue ativa e baseada no princípio da solidariedade sanitária, reforçado durante a pandemia de Covid-19. Segundo ele, o fluxo migratório na fronteira permanece dentro da normalidade e, neste momento, não há necessidade de ampliar as equipes do Ministério da Saúde na região.
De acordo com Padilha, cerca de 40 profissionais do SUS atuam atualmente na fronteira, com monitoramento diário nas casas de acolhimento em Pacaraima e Boa Vista. As ações de vacinação continuam regulares, assim como o atendimento médico e de enfermagem aos venezuelanos acolhidos, estratégia que, segundo o ministro, evita impactos no Sistema Único de Saúde.
Além do acompanhamento migratório, o Brasil passou a liderar uma operação de apoio humanitário após a destruição do principal centro de distribuição de insumos de diálise da Venezuela, atingido por um ataque bélico no último fim de semana. O episódio colocou em risco o tratamento de aproximadamente 16 mil pacientes renais crônicos no país vizinho. Padilha explicou que, desde domingo, o Ministério da Saúde articula a resposta com a Organização Pan-Americana da Saúde e a Organização Mundial da Saúde. Foram reunidas cerca de 300 toneladas de insumos, provenientes de hospitais universitários federais e de instituições filantrópicas que atendem pelo SUS, concentradas em um galpão do ministério em Guarulhos.
Um avião da companhia aérea venezuelana deve chegar ao aeroporto de Guarulhos às 7h30 da manhã desta quinta-feira (8), para transportar cerca de 40 toneladas de materiais considerados prioritários para o tratamento de diálise. Segundo o ministro, a operação não compromete o atendimento dos cerca de 170 mil brasileiros que realizam diálise pelo SUS.
Na justificativa para o envio da ajuda, Padilha citou a experiência da pandemia de Covid-19, quando a Venezuela enviou oxigênio para Manaus durante o colapso do sistema de saúde no Amazonas. Para o ministro, a cooperação sanitária entre países vizinhos é estratégica para evitar crises regionais e impactos diretos nos sistemas nacionais de saúde.
Ele também destacou que ações conjuntas de vacinação entre países da América do Sul impediram a explosão de casos de sarampo no continente, cenário que hoje atinge a América do Norte. Segundo Padilha, a integração regional foi decisiva para conter a disseminação da doença. O ministro afirmou ainda que o Brasil mantém um plano de contingência escalonado para a fronteira, que prevê desde o reforço de equipes até a ampliação de estruturas hospitalares em Pacaraima, incluindo leitos de UTI e salas cirúrgicas, caso a situação na Venezuela se agrave.