Foi protocolado nesta terça feira (3) no Congresso Nacional o requerimento para a criação de uma Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) destinada a investigar supostas irregularidades envolvendo o Banco Master. A iniciativa reúne 42 assinaturas de senadores e 236 de deputados federais, número superior ao mínimo exigido para a instalação do colegiado.
O próximo passo é a leitura do requerimento em sessão conjunta do Congresso Nacional, etapa obrigatória para a formalização da CPMI. A decisão sobre o andamento do pedido caberá ao presidente do Senado, Davi Alcolumbre.
Autor do requerimento, o deputado federal Carlos Jordy (PL RJ) afirmou que a articulação política continuará nos próximos dias para assegurar a instalação da comissão.
“Existe muita gente poderosa envolvida. Vamos buscar o apoio dos nossos senadores para que haja a interlocução com o presidente Davi Alcolumbre. Nós não temos nenhum receio de que as investigações avancem sobre quem quer que seja. Doa a quem doer, nós vamos fazer as apurações”, declarou.
O senador Magno Malta (PL ES) destacou a resistência enfrentada durante a coleta de assinaturas e elogiou o esforço do parlamentar na mobilização.
“Normalmente as assinaturas são pedidas nos nossos grupos e isso ocorre de forma automática, mas aqui foi diferente. O deputado Jordy correu um por um em busca dessas assinaturas”, afirmou após a entrega do documento.
No plenário do Senado, outros parlamentares também se posicionaram a favor da criação da CPMI. O senador Eduardo Girão (Novo CE) defendeu o funcionamento independente das comissões de inquérito. Já Izalci Lucas (PL DF) mencionou negociações envolvendo a possível compra do Banco Master pelo Banco de Brasília (BRB) e ressaltou a necessidade de apuração do caso.
Para o senador Carlos Portinho (PL RJ), o tema não deve ser tratado sob viés ideológico. “Não é da direita nem da esquerda. Não é do Lula nem do Bolsonaro. É corrupção. Não fazer nada não é uma opção”, afirmou.
Após a leitura em sessão conjunta, a CPMI terá prazo de 180 dias para conduzir as investigações, com poderes para solicitar documentos, convocar depoimentos e apurar indícios de fraudes, irregularidades administrativas e prejuízos bilionários associados ao Banco Master. O banco passou por processo de liquidação extrajudicial, que revelou perdas relevantes para o sistema financeiro.
Paralelamente, o presidente da Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado, Renan Calheiros (MDB AL), instituiu um grupo de trabalho para acompanhar os desdobramentos do caso. A previsão é de que as atividades tenham início ainda nesta semana.