Congresso aprova reajustes e amplia benefícios para servidores da Câmara e do Senado

Projetos criam novas gratificações, licença compensatória e permitem salários acima do teto

Câmara aprova novos benefícios e reestrutura carreiras de servidores do Legislativo

A Câmara dos Deputados aprovou nesta terça-feira (3), em uma votação rápida e após acordo entre líderes, um pacote de projetos que concede reajustes salariais e cria novos benefícios para servidores da Câmara e do Senado. As medidas também reestruturam carreiras e ampliam gratificações, com impacto direto sobre os salários mais altos do Legislativo.

No caso do Senado, o projeto já foi aprovado pelos deputados e segue para sanção do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O texto prevê aumentos anuais no vencimento básico entre 2026 e 2029, mas não detalha os percentuais por categoria. A proposta ainda substitui a antiga Gratificação de Desempenho pela Gratificação de Desempenho e Alinhamento Estratégico (GDAE) e cria uma licença compensatória por acúmulo de atividades e exercício de funções consideradas relevantes.

Para os servidores da Câmara, o reajuste ainda precisa passar pelo Senado. O texto estabelece aumento de 9,25% para servidores efetivos e de carreira, reajuste ponderado de 8,63% para cargos em comissão e alta de 8% para secretários parlamentares. Segundo o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), o objetivo é evitar diferenciações entre carreiras dentro da Casa.

Além dos reajustes, os deputados aprovaram um novo plano de carreira para os servidores da Câmara, que estende a GDAE, já adotada no Senado e no Tribunal de Contas da União. Na prática, a gratificação funciona como um bônus adicional para quem ocupa funções comissionadas, permitindo que os salários mais elevados cheguem a cerca de R$ 77 mil mensais, segundo estimativas técnicas da própria Câmara. O benefício é classificado como verba indenizatória, isenta de Imposto de Renda.

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As propostas também autorizam o pagamento acima do teto constitucional do funcionalismo, hoje em R$ 46,3 mil, para um grupo restrito de servidores em cargos de direção. Além disso, criam licenças compensatórias que podem ser convertidas em dinheiro, sem impacto no limite do teto.

A tramitação rápida e a votação simbólica (sem registro individual dos votos) ,geraram críticas de parlamentares da oposição, que apontam falta de debate e alertam para a criação de novos “penduricalhos” no serviço público. Mesmo assim, o pacote avançou e deve ser concluído ainda hoje, com a análise final de projetos semelhantes para o Senado e o TCU.

Aline Pessanha é jornalista, com Pós-graduação em Marketing e Comunicação Integrada pela FACHA - RJ. Possui passagem pelo Grupo Bandeirantes de Comunicação, como repórter de TV e de rádio, além de ter sido repórter na Inter TV, afiliada da Rede Globo.

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